Vinte anos de The Gathering, clássico do Testament.

220px-Testament_(band)_-_The_Gathering_(album)A primeira vez que ouvi Testament foi em 1998, quando tinha quatorze anos. Foi por intermédio de um amigo, hoje já falecido, que me presenteou com uma coletânea pirata do grupo. Lembro-me daquele Thrash Metal pesado, rápido, com altas doses de melodias nos solos e com os vocais marcantes do grande Chuck Billy. A consequência não foi outra, me tornei fã instantâneo, passei a acompanhar de perto a trajetória do grupo e foi Eric Peterson e sua guitarra pesada e vigorosa que fez aumentar meu interesse pelo instrumento.

Ainda em 1998 comprei o incrível Demonic e só foi em 2000 que pude adquirir incrível The Gathering, lançado um ano antes. Lembro-me de ter comprado o disco junto com o Brave New World, do Iron Maiden e com o We are, do Motorhead, todos lançamentos da época e hoje reconhecidos pelo público e pela crítica.

Mas The Gathering foi um impacto tão grande para mim que passei a considerá-lo um dos meus favoritos.

Todas as faixas são perfeitas, mas entre os meus destaques aponto DNR, que começa o álbum e possui uma linha de bateria incrível do grande Dave Lombardo, que participou das gravações; Down For Life, um thrash metal da velha escola, pesado e direto; a maldosa Eyes of Wrath, que possui um dedilhado sombrio e pegajoso; True Believer, clássica que dosa muito bem peso e melodia; 3 Days in Darkness, com sua letra impressionante e seus riffs inesquecíveis e Legion of The Dead, a mais brutal do disco, um death metal da mais alta qualidade.

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Eric Peterson: Mestre da guitarra e da composição.

O Testament lançou discos maravilhosos depois deste, como Formation for Dammation e Dark Roots of Earth, mas The Gathering ocupa um lugar destacado no heavy metal mundial. Arrisco dizer que está no mesmo patamar em qualidade de clássicos de outras bandas como Metallica e Slayer — talvez até maior… O grupo liderado por Chuck Billy e Eric Peterson merecia muito mais sucesso e reconhecimento por suas valiosas contribuições para a música pesada.

Longa vida ao Testamento do Thrash Metal.

 

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Menino de Engenho: retrato de um tempo perdido

menino-de-engenho-jose-lins-do-regoGilberto Freyre afirmou que a escravidão, o patriarcalismo e miscigenação de raças e culturas criaram uma nova forma de sociedade no Brasil, uma sociedade tipicamente tropical e baseada no equilíbrio de antagonismos. Isso seria uma característica tipicamente nacional.

O patriarcalismo no Nordeste foi gerado nas grandes lavouras canavieiras, no sudeste nas grandes plantações de café e na Amazônia nos seringais perdidos no meio da selva. O Brasil, portanto, se firma pelas suas especificidades regionais. Num país com suas dimensões continentais e sua diversidade cultural, são as partes que dão sentido ao todo e não o contrário.

Se o grande mestre pernambucano explorou com maestria esse tema da especificidade da cultura brasileira a partir da sociologia, foi José Lins do Rêgo, a partir da literatura, que foi fundo no impacto da lavoura canavieira na diversidade regional do nordeste brasileiro.

Menino de Engenho, primeira obra do autor, é um relato a respeito da vida num grande engenho da região. Ali vemos um retrato de um Brasil onde predominava as antigas relações de mando e obediência, com o senhor de engenho, José Paulino, exercendo seu domínio de forma severa e protetora, isto é, patriarcal. O menino narra tudo, ao mesmo tempo em que descobre o mundo com suas amizades, paixões e iniciações sexuais. Quando lemos nos sentimos transferidos para aquele mundo outrora vivo, cheio de cores, sons e sabores, mas que agora jaz na profundeza da história.

Ali lemos como estavam dispostas as relações desiguais entre os homens e as coisas, com o neto do patriarca descrevendo os trabalhadores do eito, seu avô e filhos, os negros e as negras libertas, os engenhos em decadência, chamados de Fogo Morto, a religiosidade das pessoas e a calmaria que regia aquele mundo aparentemente estático e eterno, surgido com a colonização e que sobreviveu ao Império e à República; e que logo seria modificado pela ação das usinas, novas formas de produção capitalista, levando à decadência os antigos engenhos.

Relato de uma época que não existe mais, Menino de Engenho é um autêntico romance brasileiro, pois vai nas raízes da nossa história e do nosso ethos civilizacional: lusotropical, patriarcal, latino-americano, capitalista e dependente.

Coloco-o ao lado de grandes como Proust, Whitman, Balzac e Flaubert que retrataram como poucos o espírito de um tempo perdido no tempo e no espaço.

Pornopopéia: uma espiral de excessos

pornopopeiajpgUm cineasta fracassado tem diante de si uma tarefa, escrever um roteiro institucional para uma empresa de embutidos de frango. O que seria simples nas mãos de uma pessoa normal, para o personagem em questão, Zé Carlos, se torna algo impossível, pois logo ele deixa-se levar por uma avalanche de sexo, orgias sem camisinha, álcool e drogas, muitas drogas.

Este é basicamente o enredo de Pornopopéia, de Reinado Moraes, uma sucessão de acontecimentos onde todo excesso é cometido, enquanto o personagem vai aos poucos se autodestruindo. A linguagem é direta, coloquial, simples, ágil e repleta de reflexões ácidas e tragicômicas do protagonista em relação ao mundo a sua volta e em relação a si mesmo.

Desacreditado por todos e sem dinheiro, inclusive pela esposa, sem criatividade para escrever e viciado em tudo que seja possível cheirar ou fumar, Zé Carlos passa pelo mais tosco submundo de São Paulo, com suas prostitutas, traficantes, travestis, viciados, velhas endinheiradas carentes de sexo e outras figuras bem peculiares.

Pode-se dizer que é um personagem típico dos nossos tempos, movido por um apetite voraz por qualquer coisa que gere prazer, ele não se preocupa com as consequências dos seus atos, apenas se rende ao gozo dos sentidos, nem que isso gere problemas graves para ele e para outros a sua volta.

Embora seja engraçado e as vezes chocante, vi no livro muito mais que um relato desenfreado de gozadas e nóias.

Zé Carlos é o Homem à Deriva, sem um fim ético pelo qual lutar, sobrevive numa vida nua, desgarrado numa sociedade anômica, ele é um doente numa sociedade doente, como o pus que espirra de uma ferida podre. Interpreto-o como mais uma consequência imprevista de uma sociedade hiperindividualizada e hipercompetitiva na hipermodernidade.

A obra é uma verdadeira epopeia do sexo, das drogas e do desastre.

Resenha: As Coisas do Porão, de Rafael Elfe

capa-ep-coisas-do-porao-1400x1400.jpgMuitos dizem que a música popular brasileira está em franca decadência. Artistas como Pablo Vittar, Anitta, cantores (as) desafinados de funk e todo aquele batalhão de duplas e cantores sertanejos com letras pouco elaboradas e melodias feitas para ouvidos preguiçosos, parecem ser a prova irrefutável desta safra ruim.

Mas essa visão pessimista não passa de um grande equívoco. Há muita coisa boa acontecendo na música nacional: Benjamin, Silibrina, Eliana Printes e Rafael Elfe são apenas uma pequena amostra da vitalidade da nossa música atualmente.

Coisas boas estão ai, só que não chegam para o grande público. Basta perder a preguiça, não mais aceitar o que a indústria cultural quer nos enfiar goela abaixo procurar um pouco.

Escutando o novo trabalho deste carioca, As Coisas do Porão, lançado em 2017, percebe-se que temos diante de si um artista talentoso, capaz de transformar o cotidiano em poemas acompanhados de melodias bucólicas e populares — o que faz com que este musicista seja classificado como folk, mesmo que ele rejeite este rótulo, preferindo o que músico popular. Notei em suas músicas influências de Raul Seixas, Bruce Springsteen, Belchior e Bob Dylan, tudo colocado de maneira orgânica, sem forçar a barra.

Em seu mais recente trabalho Elfe nos brinda com belas músicas como Seu Pó nas Coisas, a bucólica e singela Cimo do Outeiro e as carregas de critica social Capetalismo e Do Crãnio de Um Fascista Nascerá Flor. Também destaco minha preferida do disco Comentário a Respeito do que Sou.

Disco recomendado para quem gosta de canções acústicas, poéticas e está a procura de vida inteligente na música atual brasileira.

 

We are Motörhead: minha homenagem a Lemmy

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O disco We are Motorhead, de 2001

A morte do grande Lemmy Kilmister no fim de 2015 fez com que a cena do heavy metal terminasse o ano de luto. Considerado como uma das maiores figuras do rock e do metal mundial, baixista respeitado, compositor de mão cheia e dono de uma voz marcante, o ex-líder do Motorhead conseguia criar canções que hoje são referência no mundo da música.

Como grande fã da banda, resolvi fazer minha homenagem ao grande músico falecido com uma resenha sobre o primeiro, e ainda meu favorito, disco que escutei deles: We are Motorhead.

Adquiri esse disco logo quando foi lançado, no ano de 2001, quando eu tinha meus dezessete anos. Lembro-me que o comprei junto com outros dois discos: The Gathering, do Testament e Brave New World, do Iron Maiden. Logo que coloquei o disco para tocar foi amor a primeira vista; canções diretas, riff´s matadores e a voz cortante de Lemmy cantando sobre beber, arranjar confusão e fugir da cadeia mostravam porque o Motorhead era considerado um dos monstros sagrados do Metal mundial.

Sou suspeito para falar, mas não se pode destacar uma música deste disco, todas são de altíssima qualidade, seja a faixa de abertura See Me Burnning; a lenta e pesada Slow Dance; a rápida Stay Out the Jail; a cadenciada Wake The Dead ou mesmo a balada One More Fucking Time. São canções que tanto poderiam constar sem problemas nos shows da banda quanto o ouvinte poderia escutar várias vezes sem nunca enjoar.

O disco ainda traz um cover do Sex Pistols, God Save The Queen, que ficou

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Lemmy Kilmister (1945-2015)

muito bem na voz de Lemmy.

Sem dúvida, o trio Lemmy Kilmister, Mikkey Dee e Phil Campbell estão em sua melhor forma neste disco.

O petardo finaliza com chave de ouro com a pesadíssima We Are Motorhead, uma espécie de convocação/saudação de todos os fãs da banda para curtir um bom rock and roll.

We are Motörhead – born to kick your ass

Obrigado por tudo, Lemmy.

Noite na Taverna: uma pequena obra-prima

azevedoDeixai-me fumar o meu charuto!”

A.Azevedo

Lembro que quando estudei a literatura de Alvares de Azevedo (1831-1852) na escola, lemos apenas os seus poemas, não demos nenhuma nota sobre sua produção em prosa. O que foi uma pena, pois o nosso maior romântico foi um poeta extremamente medíocre. Sua Lira Dos Vinte Anos (1853) é um livro com uma quantidade enorme de poemas ruins de rimas muitas vezes preguiçosas, apenas um ou outro que se salva; o melhor deles, sem dúvida, é Meu Sonho, na melhor inspiração Byroniana.

O autor nasceu no século XIX, em São Paulo, filho da elite cafeeira paulista, ingressou na faculdade de direito e morreu de tuberculose aos vinte e poucos anos. Era um autêntico filho do século XIX. Romântico extremado, leitor ávido de Shakespeare e Byron, cantou sobre a morte, amores impossíveis e sobre o tédio da vida. Era um liberal. No seu discurso de formatura, defendeu os ventos que a revolução francesa soprara pela Europa. Influenciou quase todos os escritores de sua geração e das seguintes no Brasil, incluindo pesos pesados como Machado de Assis e José de Alencar.

Contudo, a grande genialidade de Azevedo, pelos menos para mim, está em seus contos, publicados em 1855 sob o nome de Noite na Taverna. O livro é uma coletânea de histórias trágicas e soturnas onde seus personagens, Solfieri, Bertram, Gennaro, Claudius Hemann e Johann, narram suas desventuras passadas sentados numa taverna qualquer e rodeados de prostitutas.

São personagens extremamente angustiados, pois não sentem qualquer propósito de viver. São todos cheios de vícios e levam uma vida vazia, regada basicamente a alcool, drogas e sexo. As histórias que compartilham são sempre de amores passados, cujo fim termina sempre em tragédia e morte. O tom do livro é extremamente pessimista, cinzento e cínico, mostrando que para estes personagens a vida é um sofrimento e a única forma de escapar dela é beber e transar até que o fim chegue.

Particularmente, gostei muito do capítulo de Solfieri (leia aqui), que abre o livro, e sua incrível cena de necrofilia.

O livro todo se passa na Europa, e não tem qualquer ligação com a biografia do seu autor. Apesar qualidade acima da média, Noite na Taverna foi como um fruto exótico da obra de um escritor que morreu aos vinte e poucos anos. Quem dera se ele tivesse vivido mais e se dedicado mais a história curta. Com certeza teria criado grandes obras.

Mas a Fortuna desejou que fosse diferente.

Recomendo Noite na Taverna para aqueles admiradores de histórias de fantasia, suspense e terror.

Ecos de Maquiavel em Game of Thrones

thumb_game-of-thrones-003-flvNos últimos anos temos sido brindados por uma grande quantidade de séries que abordam de maneira eficaz as relações de poder. Exemplos não faltam: Roma, The Tudors. The Borgias ou House Of Cards… Mas entre estes belos trabalhos, um tem se destacado. Me refiro a Game of Thrones, produzido pela HBO e baseado na ambiciosa obra homônima do escritor americano George R. R. Martin.

Nela vemos a história do grande Reino de Westeros, um mundo que, como já disse o próprio autor, é diferente e ao mesmo tempo parecido com o nosso. Seu Rei é Robert da Casa Baratheon, cuja morte acaba resultando num impasse, pois descobre-se que seu filho herdeiro, Joffrey, é, na verdade, um bastardo fruto de um relacionamento incestuoso entre a rainha e o próprio irmão. Isso gera uma verdadeira guerra civil entre os pretendentes ao trono, como os irmãos mais velhos do falecido Rei: Reinly e Stannis Baratheon; os partidários do recém- coroado, aliados da Casa Lannister, da qual pertence a rainha; a senhora da antiga dinastia deposta por Robert, Daenerys Targaryen; e mesmo os senhores de outras casas que pensam em separar-se para formar um reino independente, como é o caso dos Starks de Winterfel ou dos Greyjoys das Ilhas de Ferro. Além disso, há o surgimento de uma ameaça terrível que vem do extremo norte, capaz de destruir todo o mundo conhecido.

O seriado, e por conseguinte, a própria obra literária, tem sido aclamada por público e critica, atingido grandes índices de audiência e de vendas de livros. Muitos tem apontado inúmeras qualidades na história, como a complexidade do enredo, os personagens convincentes e os detalhes que fazem com que As Crônicas de Gelo e Fogo sejam extremamente cativantes, tornando-a um verdadeiro fenômeno na cultura pop.

Mas, particularmente, uma das coisas que mais tem chamado minha atenção, tanto no seriado quanto nos livros, é o realismo politico que norteia a obra. A luta incessante pelo poder ou pela sobrevivência entre os mais variados grupos políticos ou personagens, onde questão ética é muitas vezes esquecida. Portanto, os meios cruéis são os mais empregados para se conseguir o objetivo desejado: como matar crianças, chacinar camponeses, trair aliados, executar mulheres grávidas ou vender o apoio a uma causa por alguns punhados de ouro. Muitas vezes, aqueles que se prendem a valores como honra e honestidade, logo perdem o poder, sendo mortos e aniquilados; enquanto os espertos, os traiçoeiros, os dissimulados, os mesquinhos e os cruéis, não tendo sobre si o peso da moral e da ética, o que limitaria seu escopo de ação, estariam, assim, muito mais livres e com muito mais opções e estratagemas para usar na arena da disputa política…

Isso me fez lembrar o quanto o pensamento de Nicolau Maquiavel parece permear, mesmo que indiretamente, a trama da história. Num artigo que escrevi anteriormente (leia aqui), mostrei como a questão da ordem e a relação entre ação e oportunidade, Virtú e Fortuna, respectivamente, eram os dos temas mais essenciais em O Príncipe. O autor viveu numa época em que sua terra, a Itália, estava dividida a assolada por guerras intestinas. Para ele, a única forma de resolver este problema era um líder politico, pragmático e inteligente, capaz de saber ler a conjuntura de seu tempo e agir no momento e no grau certo, unificando o país, pondo fim ao caos e expulsando as forças estrangeiras.

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Nicolau Maquiavel (1469-1527): o poder serve para manter a paz e a ordem.

No decorrer dos séculos, Maquiavel foi associado ao oportunismo político e a ideia de que qualquer meio era justificável desde que o poder fosse conquistado. Nada mais falso a respeito do pensador de Florença. O valor supremo para ele era a paz e a ordem. O poder só deveria ser assumido e os meios para tê-lo só se justificariam se a intenção fosse manter a paz. Em determinado trecho de O Príncipe, pergunta: O que é melhor, o príncipe ser sempre bom com os seus súditos e deixar que eles entrem em guerras internas e causar a devastação do reino, ou ser energético, sendo muitas vezes violento, mas assegurar a paz e prosperidade? Obviamente, o autor optou pela segunda alternativa. O poder só valia a pena de ser conquistado e mantido a qualquer custo se ele estivesse sendo guiado pela manutenção da paz e da prosperidade. Entre ser temido e ser amado, o ideal é que seja os dois; mas na impossibilidade disso, o líder deve escolher ser temido, pois os homens comumente não sentem medo do amor e são venais e traiçoeiros, contudo, eles jamais traem aqueles a quem temem — pois pactos sem a espada não passam de palavras…

Em Game of Thrones, vemos uma situação semelhante à Itália dos tempos de Nicolau,  entre os séculos XV e XVI, muito embora a inspiração de Martin tenha sido a Inglaterra nos tempos da Guerra das Duas Rosas: um país dividido, assolado pela guerra civil e sujeito a invasões estrangeiras. Se o nosso autor estivesse vivo hoje e se deparasse com a obra, ele apenas diria que o verdadeiro merecedor do Trono de Ferro seria aquele que, conquistando o poder, tivesse habilidade suficiente para manter a ordem e, assim, criar uma era de prosperidade para beneficiar o povo. Ele não se deteria sobre questões de sucessão, pois os governos e as dinastias passam, ou de charme e bondade pessoal, isso é insuficiente para governar. Sem embargo, ele se deteria numa análise objetiva. Qual pretenso Rei conhece de fato Westeros (suas alianças politicas, as forças e fraquezas das grandes casas e o caráter de seu povo) e sabe manejar o poder para a sua finalidade suprema: a manutenção da paz?

Se olharmos para os três reis que restaram, vemos que a prova de fogo nesse quesito se aproxima para ambos. A Senhora da Casa Targaryen, uma líder de perfil reformador e carismático (uma mãe dos pobres?) luta para impor leis e costumes estranhos as cidades que conquistou. Já o Mestre da Casa Baratheon, general experiente e implacável, rígido de vontade e com grande senso de dever (conquistar o Trono de Ferro para impor a ordem é seu objetivo fundamental) se vê diante de um duplo impasse: conquistar o norte para a sua causa e repelir a ameaça vinda para além da muralha. Já o jovem Rei da Dinastia Lannister e Baratheon (sic), sofre com a falta de experiencia, com a perda com dois de seus mais competentes conselheiros e com a instabilidade dos aliados.

Não há dúvida de que Game of Thrones é uma grande peça de entretenimento. Vibramos com a trama, nos identificamos com seus personagens, torcemos por eles e nos revoltamos quando morrem. Mas, se lermos a obra para além de uma novela de fantasia, e a enfocarmos a partir da questão da competição pelo poder, teremos ai um bom ponto de partida para discutir o sentido e os usos da política.