Rui Barbosa: Política e politicalha

Rui Barbosa-Política e politicalhaA política afina o espírito humano, educa os povos, desenvolve nos indivíduos a atividade, a coragem, a nobreza, a previsão, a energia, cria, apura, eleva o merecimento.

Não é esse jogo da intriga, da inveja e da incapacidade, entre nós se deu a alcunha de politicagem. Esta palavra não traduz ainda todo o desprezo do objeto significado. Não há dúvida de que rima bem com criadagem e parolagem, afilhadagem e ladroagem. Mas não tem o mesmo vigor de expressão que os seus consoantes. Quem lhe dará o batismo adequado? Politiquice? Politiquismo? Politicaria? Politicalha? Neste último, sim, o sufixo pejorativo queima como ferrete, e desperta ao ouvido uma consonância elucidativa.

Política e politicalha não se confundem, não se parecem, não se relacionam uma com a outra. Antes se negam, se excluem, se repulsam mutuamente.A política é a arte de gerir o Estado, segundo princípios definidos, regras morais, leis escritas, ou tradições respeitáveis.

A politicalha é a indústria de explorar o benefício de interesses pessoais. Constitui a política uma função, ou um conjunto de funções do organismo nacional: é o exercício normal das forças de uma nação consciente e senhora de si. A politicalha, pelo contrário, é o envenenamento crônico dos povos negligentes e viciosos pela contaminação de parasitas inexoráveis. A política é a higiene dos países moralmente sadios. A politicalha, a malária dos povos de moralidade estragada

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Crônica: Laércio

Por Thiago Limeira

Está chovendo. Chovendo como há tempos não chovia. E nesta noite fria, só consigo pensar em duas coisas: Uma é passado, a outra é.

Ele costumava me chamar para eu colocar músicas no computador para ele ouvir. Racionais. Madonna. Ndee Naldino. Robério e seus teclados. We are the world. Ele ouvia de tudo, mas eram sempre as mesmas músicas que ele costumava pedir. Às vezes, me era um teste de paciência atender aos seus diversos pedidos. “Thiaguinho isso”, “Thiaguinho aquilo”, “Ô Thiaguinho”. Bah. Era o jeito dele, e eu sabia. E ele era um dos moradores mais porcos do abrigo. Me lembro uma vez que, após duas semanas na rua, bebendo, ele retornou com aquele conhecido e já esperado aspecto de espantalho. Magro, sujo, bafo de cachaça, completamente repugnante. Uma vez, de tão bêbado, deitou no chão e começou a girar. Mas voltando ao assunto. Ele passara duas semanas na rua, e não tirara a meia que estava utilizando nem uma única vez durante estas duas semanas. E ele tinha uma doença na parte inferior da perna. As meias estavam podres, imagine você a situação. E eu tive de tirá-las de seu pé pois o lazarento era folgado e bêbado demais para fazer isto. Foi nojento. Me lembro até hoje do cheiro. E era um tormento convencê-lo a ir tomar banho. Como eu disse, sua higiene era precária. E ele, mesmo já estando morto devido a quarenta anos de uso intenso de álcool e outras drogas, ainda incomodava outros moradores que moravam debaixo do mesmo teto. E foram exatamente as desavenças que, muitas vezes, o fizeram sair do abrigo para ir beber. Quando ele saia com a mochila nas costas, já sabíamos, só o veríamos dali a uma semana ou até mais tempo. E ele sempre voltava, mas voltava cada vez pior. E os remédios foram inúteis. Difícil combater uma falta de sentido, uma grande desilusão amorosa (como fiquei sabendo) e quarenta anos de vício com um mero coquetel de remédios. Nada mudou, no fim das contas.

Mas agora ele não vai mais voltar, e não ouvirei mais o “Thiaguinho isto”, “Thiaguinho aquilo” como ele costumava dizer. E os moradores e a faxineira não reclamarão mais de seus escarros. E logo todos o esquecerão. Mas talvez eu, eu e estas linhas não. “Ô Thiaguinho, coloca uma música aqui pra mim”. Ainda me lembro. Espero sempre me lembrar. Daquele puto velho, bêbado, perdido e desiludido. Mais ou menos igual a eu mesmo.

Thiago Limeira é escritor, autor de Alguém (2015)

Gabriela, sapatão!

Era sábado à noite. Estávamos nos preparando para dormir, ajeitando os lençóis, desligando o notebook e fechando a janela quando ouvimos os gritos desesperados de um ébrio que passou na frente de nosso prédio:

“Gabriela, sapatão! Gabriela, sapatão!”

Como o edifício onde morávamos era o único naquela parte da avenida, o sujeito só podia estar gritando para alguém que era nosso vizinho.

“Será se era pra Gabi do 21?” Perguntou minha esposa.

“Provavelmente…”

Gabi era uma moça de pouco mais de trinta anos que havia abandonado o namorado para ficar com o seu grande amor, Jucélia, uma coroa fogosa vinte anos mais velha. Lembro que cheguei a conhecer o tal namorado, era um sujeito bem alto, de porte atlético, olhar lerdo e com uma daquelas personalidades que estão mais interessadas, com diz o ditado, em saber quem tem e quem não tem…

Agora estava como que desesperado na tentativa de atingir a reputação da moça.

Soubesse ele que a sua Gabriela tinha saído com a namorada poucas horas antes e provavelmente estaria num motel chupando uma buceta de pentelhos brancos como uma menina chupa uma bala de chocolate, talvez pensaria dez vezes antes de sair por ai gritando como um louco, jogando a sua dignidade no asfalto pútrido daquela cidade empestada de mendigos.

Mas muitos machos são assim, preferem pensar com o esperma que há em seus sacos e se rebaixam a condição de animais.

“Gabriela, sapatão! Gabriela, sapatão!” Aos poucos os gritos de ébrio foram se perdendo no silêncio intermitente da madrugada.

“Esse ganhou o selo de babaca do mês” Disse para minha companheira antes de me cobrir e fechar os olhos.

Crônica de um Dia Quase Qualquer…

Naquele onze de setembro de dois mil e um do ano de nascimento do galileu, tinha eu apenas dezessete anos. Recordo-me que naquela manhã, como todas as outras,  gastava horas ouvindo heavy metal ou lendo algum romance inútil. Era extremamente tímido. Uma timidez que beirava uma conduta anti social. Como passava horas enfurnado no quarto e raramente assistia televisão, era difícil saber o que estava acontecendo no mundo lá fora.

Foi quando resolvi deixar minha caverna para ir ao banheiro. Como para fazer esta ação tenho que obrigatoriamente passar pela sala, vi pela televisão, sintonizada no canal CNN, uma das torres gêmeas exalando uma quantidade homérica de fumaça.

“O que tá rolando?”

“Parece que uma das torres está pegando fogo… Eles desconfiam de incêndio” Disse minha irmã.

Não dei muito crédito.

Alguns minutos depois invento de ir á cozinha e converso outra vez com a caçula da família.

“Foi um ataque terrorista… Jogaram um avião contra as torres… As duas torres acabaram de cair…”

Estranhamente, por mais que eu tivesse ficado bastante impressionado com aquilo, não tive saco para ficar assistindo o noticiário da CNN.

Por volta das onze e meia da manhã, me mandei para a escola e no ônibus já havia gente comentando e analisando as causas do atentado. Uma senhora atrás de mim falava em fim dos tempos, na vinda de Jesus e outras idiotices… Na escola conversei com uma colega que pertencia ao Green Peace. Eu achei que fosse ter uma análise interessante sobre o tema, mas hoje, relembrando aqueles momentos, a pobre eco chata misturou tantos assuntos no final e não disse coisa alguma…

Quando cheguei da escola fui dar um tempo na casa de um amigo. Foi ai que finalmente vi no noticiário as imagens que realmente me chocaram.

“Puta que paril…”

Foi o que exclamei quando vi a aeronave se chocando contra uma das torres, foi o que disse quando vi ambas as torres resvalando tragicamente para a ruina em meio aos gritos infernais e aterrorizantes dos americanos — como se fossem a torre de Mordor se desintegrando sobre o firmamento apesar do desespero inútil de Sauron…

Nem mesmo Júlio Verne, Lovecraft, Wells ou qualquer outro escritor de ficção cientifica ou de terror poderia ter imaginado um acontecimento daquela magnitude. Foi só ai que percebi que o mundo tinha realmente mudado, que estávamos diante de uma encruzilhada, de uma descontinuidade histórica e, ao mesmo tempo, diante um novo tempo que estava surgindo… Nos sentíamos como insignificantes satanazes diante da auto destruição e descontrole do carro desgovernado que trilhava a vereda condenada e sem sentido da história humana. As pessoas que morreram ali eram apenas vitimas da história, vitimas da descontinuidade, vitimas do processo; e nós, espectadores, meros consumidores da tragédia histórica e do devir, incapazes de compreender a erupção e o caráter causal de um novo ciclo.

Os religiosos falavam em deus, os incrédulos em tragédia, os esquerdistas em desigualdade; e eu, mero moleque retraído de dezessete anos, só sabia repetir:

“Caralho! Puta que paril!”

E fiquei assim, a repetir a única coisa que parecia encaixar-se na loucura daquele dia… Era como se o meu tricolor tivesse ganhado na libertadores, era como se eu acabasse de voltar de uma transa com a mina mais gostosa da escola. Era apenas um espetáculo:

“Puta merda, que foda!”

Era como um espetáculo e eu apenas me deixava impressionar por ele.

Cenas da Vida Literária

Eu estava numa daquelas festas que agregam os literatos e outros aspirantes á intelectuais na livraria Germinal, ponto de encontro de escritores daquela cidadezinha ardendo de vontade em se igualar a outras metrópoles brasileiras.

 O ar exalava toda uma atmosfera pretensiosamente erudita. Para mim, um jovem escrevinhador de vinte e poucos anos, ver aqueles velhinhos em suas calças de pano e camisas de ceda parecendo uns irmãos pentecostais, citarem a exaustão em suas rodas de colóquios toda uma sorte de autores e frases, era para mim muito mais uma demonstração de pedantismo que de genuína sabedoria.

Não posso esquecer também dos seguidores destes pequenos deuses da província, jovens inocentes que acreditavam piamente no valor da arte pela arte. Reproduziam a mesma temática de seus mestres: os pássaros, a lua, a Amazônia, o amor… Puro vazio formal. Aqueles pobres puritanos nem sequer conheciam o prazer da licenciosidade que inspirou grandes como Sade, Byron, Kerouac ou Miller…

 Era por volta das vinte horas. Todos se divertiam em suas rodas onde se discutia assuntos bizantinos, como por exemplo, se Graciliano era melhor que Machado, se Antisthines Pinto tinha mais beleza formal que Arthur Engrácio ou mesmo resolver intrigas pessoais cuja única intenção era afirmar sobre outros rivais o próprio dote artístico — cuja função para aqueles intelectuais era a mesma que as plumas eram para o pavão.

 Como detesto este tipo de afetação, resolvi ausentar-me daquele recinto e fui para a calçada, onde o ar úmido do sereno da noite muito acalmava-me. Fiquei a observar os poucos transeuntes que ainda perambulavam, os carros que passavam velozes e outras pessoas que saiam da festa e conversavam sobre qualquer artificialidade. Não pude furtar-me de notar, ao contrário da maioria que por ali passava, um mendigo, deitado justamente em frente da livraria. Repousava em profundo sono sobre um pequeno pedaço de papelão. A pele queimada exalava os odores pestilentos da transpiração e da sujeira; os sovacos peludos e a barriga redonda e protuberante a contrastavam contra a magreza do corpo. Parecia o Walace Souza. Apenas uma bermuda azul e velha cobria-lhe a nudez. Tinha a sua volta algumas latas velhas que estavam ali jogadas.

O que aquele pobre diabo estava sonhando? Seus devaneios seriam a reprodução do horror da vida cotidiana ou teria ele a habilidade de escapar da realidade impiedosa recriando outros mundos em seu repouso?

Detinha-me sobre estas ideias quando desceu o dono da livraria, homem alto, tez branca, cavanhaque e olhos de expressão mordaz. Vestia terno. Vestia mesmo? Não lembro… Abordou o mendigo a chutes e gritos.

 “Porra, tu não tá vendo que tu tá atrapalhando as pessoas… Sai logo daqui, caralho!”

Embora com os olhos e as maneiras lerdas de sono, o mendigo levantara sem esboçar protesto.

“Sai daqui logo, porra…”

Todas as pessoas decentes que estavam a volta observavam caladas.

“Levanta, caralho!” Dava-lhe pontapés que atingiam as pernas, o papelão e as suas latas.

Arrumou os cacarecos e, com os gestos lentos e submissos, caminhou até uma loja ao lado que já tinha encerrado o serviço, estendeu o papelão, ajeitou as latas e voltou a dormir enquanto era observado pelos olhos condescendentes dos convidados.

Havia um garoto, de seus poucos mais de quatro anos, que observava tudo com aqueles pequenos olhos castanhos e arregalados, a boca aberta e um pequeno carrinho de plástico numa das mãos, vestido com uma camisa linho marrom e uma calça de crepe preta em seus sapatinhos de couro escuro. Pela semelhança com o dono presumi que era seu filho.

O dono da livraria subiu com o garoto no colo, enquanto resmungava em voz baixa. E aquele pobre diabo recolheu-se, resignado, por entre a escuridão que a marquise da loja lhe oferecia.

Teoria Literária sem Frescura

o_texto_nu_-_capa Apresentar um assunto tão complexo como a Teoria da Literatura pode ser uma tarefa monótona e, por vezes, malograda; principalmente quando se trata de expor a um iniciante, da leitura ou da escrita, todas as principais escolas, tendências e enfoques na forma de se analisar e produzir um texto; dificilmente se conseguirá levar á cabo tão espinhosa tarefa sem tornar-se enfadonho ou mesmo redundante; basta lembrar-mos dos velhos e chatíssimos manuais de literatura do nosso combalido ensino médio que, ao invés de criar em nós alunos o gosto pela arte da escrita, inculca-nos uma verdadeira aversão pelos livros.

Mas não é esse o caso de O Texto Nu, de ZéMaria Pinto, um belo ensaio sobre ofício literário. Como já bem diz o titulo, o texto é despido, desmascarado, destrinchado e analisado sob as mais diversas perspectivas. Ao deixar de lado a linguagem obscura de muitos eruditos pedantes, nos apresenta um estilo agradável, leve, saboroso e, por vezes, bem humorado; sem preterir, contudo, a profundidade e o rigor no trato com o conteúdo. Talvez o presente ensaio se encaixe no famoso depoimento de Antonio Cândido sobre a vida de Aurélio Buarque de Holanda, quando o sociólogo da cultura afirmara que se deveria prezar pela seriedade sem, contudo, tornar-se sisudo.

Maria Pinto vai dos primórdios da criação textual e da analise da palavra, começando com a Grécia antiga, a dramaturgia trágica e as tentativas de Platão em explicar a arte, até a nova critica multidisciplinar dos dias de hoje; as características mais elementares de todas as escolas literárias através dos séculos; a distinção entre o texto-obra, artístico, e o texto objeto, usual no cotidiano; as correlações entre a forma e conteúdo; as analises sincrônicas e diacrônicas, esta, uma homologia entre os estilos de época e o quadro evolutivo da literatura ao longo da historia, enquanto aquela detêm-se na classificação literária enquanto modelo formal pertencente a determinado gênero; as variadas formas de se criar boa poesia; a distinção entre estilos individuais, como a marca própria do autor e o estilo coletivo, “o estilo modal dos indivíduos que escrevem em determinada época”; além de uma das teorias mais bem elaboradas para explicar os tramites da arte ocidental: a oposição entre dionisíaco e apolíneo, esboçada pelo grande Friedrich Nietsche em seu livro A Origem da Tragédia.

A parte mais original da obra é a teoria da Letra Poema, em que o autor lança mão de alguns pressupostos para analisar se determinada letra serve para música, e nos apresenta as categorias letra ordinária, letra funcional, letra poética, letra poema, poema letra, como hierarquização qualitativa as letras de musicadas — desconfio de que boa parte das peças de forró safado que tocam pelas espeluncas desta cidade vão ficar na escala mais baixa da classificação…

Contudo, o mais interessante, pelo menos para mim que escrevo ficção, é o capitulo IV, sobre a prosa ficcional, em que Maria expõe com simplicidade as mais variadas formas de narrativa desde as explanações preliminares sobre plano de enunciação e enunciado; as formas de narrativa; o narrador neutro, típico de prosas mais simples; o narrador intruso, tão comum em escritores mordazes como Machado de Assis e Sterne; e o narrador seletivo, meu favorito, e talvez a maior contribuição de Flaubert para a arte; além de retomar a discussão, nunca esgotada, sobre a distinção entre novela e romance. Afinal, novela seria um romance condensado ou um enredo em que há varias historias de caráter episódico?

Recomendo, por combinar simplicidade, estilo e rigor, a obra O Texto Nu, como uma bela e instigante lição introdutória sobre a arte de escrever para todo aquele que deseja se lançar nos tortuosos caminhos da palavra.

Cena Num Engarrafamento

Quando se está indo para a faculdade, imerso naqueles ônibus caindo aos pedaços, atolados de gente, com aquele calor desesperador, sob o tédio e o peso destruidor da rotina, é quase impossível notar algo interessante que possa valer uma crônica, um conto ou um registro que seja; todos estão sisudos, estressados, todos loucos para que o dia, mal começando, acabe — a coisa fica ainda pior quando nosso meio de transporte fica preso vários minutos num engarrafamento…

Mas foi exatamente numa manhã medíocre destas que notei algo que me estarreceu…

Era por volta de nove horas e trinta minutos. Eu estava sempre atrasado, sempre com sono… O coletivo, que por sorte estava quase sem ninguém, parou exatamente sob o viaduto da Recife; na época, o famigerado viaduto ainda estava em obras, portanto, o tempo de espera naquele cruzamento debaixo de um sol maldito era um dificílimos teste de paciência.

Como estava sentado num banco de janela, percebi que, num celta logo ao lado de onde me sentara, o motorista tentava violentar a moça que estava no banco do passageiro… A garota devia ter pelo menos quinze anos e o homem, lá pelos trinta, urgia em beijar a força a pobre rapariga.

Ela tentava a todo custo desvencilhar-se das investidas do seu algoz, erguendo os braços para proteger o rosto, mas o homem era insistente, muito insistente… Tive a impressão, pois não podia ver bem o rosto do agressor, que ele dizia coisas obscenas, com um riso sarcástico entre os lábios.

Quando o sinal abriu, ele parou por um momento, deixando a garota imersa em prantos, inclinada para frente, as mãos na face e os cotovelos apoiados no porta luvas e os cabelos assanhados.

Eu apenas observava, não sei se estupefato ou horrorizado, mas realmente detestei que ali não houvesse um único policial nem um guarda de trânsito…

Quando a fila parou novamente, pois naquela época ela ia com mais lentidão que uma tartaruga, o condutor tentou mais uma vez abusar da jovem, desta vez ele forçava passar as mãos pelas coxas dela e pelos seus os seios, e a garota, mais uma vez, angustiada, com lágrimas no rosto, desviou-se desesperadamente do violentador.

O sinal abriu e a fila desmanchou-se, assim como aquela hedionda visão que presenciei…

Hoje, fico imaginando como deveria ser a vida daquela adolescente e o que acontecera para ela ir parar exatamente ali. Entretanto, apesar de ela não saber, havia apenas uma testemunha, completamente impotente, do seu suplício…