Quem Julga os Julgadores?

Um dos maiores dilemas que as democracias ocidentais enfrentam no século XXI reside no surgimento de ideias autoritárias que procuram atacar e desacreditar às instituições. No Brasil, a falência do Estado se combina com a crise dos interpretes da constituição que passam a compreender a carta magna baseados não nos preceitos claros da liberdade individual e no amplo direito a defesa, mas no casuísmo eleitoral e no crescente autoritarismo do Estado brasileiro.

Diante da anomia do nosso sistema judiciário, fica a pergunta: Quem vigia os Vigilantes da Constituição?

O artigo Quem coloca guizo nos semideuses do supremo? Escrito por Marcelo Oliveira, Douglas Ribeiro e Victor Costa, publicado no número 74 da revista Insight Inteligência, apresenta algumas interessantes reflexões a respeito e propõe uma saída democrática para o problema do autoritarismo do nosso Estado. 

O autoritarismo penal, apontam os autores, se torna cada vez mais explicito por meio da Lei Antiterrorismo (13,260/2016) e na tendência de se inverter no processo penal a presunção de inocência para a presunção de culpabilidade através da restrição do habeas corpus, na extinção dos embargos infringentes e na execução imediata da pena quando houver um suposto abuso do direitos de recorrer. Tudo isso atropela a tradição liberal e democrática do Constituição de 1988 de respeito aos direitos individuais.

Montesquieu, no livro Do Espirito das Leis, apresenta uma reflexão sobre a tensão entre a segurança e a liberdade do cidadãos. Para o autor, que é citado no artigo: “Quando a inocência dos cidadãos não está garantida, a liberdade também não está”. Em outras palavras, o direito dos cidadãos pode ser ameaçado pelo poder arbitrário do Estado ao considerar que todos são culpados já de antemão sem a garantia da legitima defesa.

Contra estas ideias de garantias dos direitos individuais é que se insurgem a ideologia do autoritarismo, baseado no fortalecimento do executivo e no punitivismo estatal, que considera qualquer cidadão suspeito ao eleger certos grupos sociais como inimigos públicos: políticos de oposição, professores, artistas e outros tipos de intelectuais.

Contra este processo de anomia da justiça brasileira, os autores se aproximam de Norberto Bobbio ao propor a discussão da transparência do exercício do poder político nas democracias. Todas as decisões e atos devem estar sujeitos ao escrutínio público e não podem estar acima da crítica cidadã.

O judiciário não pode mais se comportar como um estamento fechado acima do bem e do mal, cujas decisões e práticas estariam acima de qualquer crítica. Onde não há a luz da transparência e do debate público, reina o obscurantismo e o abuso de poder.

Os últimos capítulos da Vaza-Jato são tipo ideais deste processo. Inebriados pela fama e por sua lógica de casta, atropelaram a ordem legal, investigaram e condenaram por suas preferências políticas.

Precisamos abrir a caixa preta do judiciário. Os julgadores e os guardiões da Constituição devem ser vigiados pela própria sociedade. Sem isso não há democracia possível.

 

 

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O Novo Capítulo da Crise Brasileira

As revelações do site The Intercept nos jogaram em mais uma etapa da crise. Nossas instituições, mais uma vez, estão sendo testadas até níveis intoleráveis. O pior é que o governo atual não tem a menor capacidade de resolvê-la, ele não só é parte da crise, como também precisa dela para se manter. Apenas num contexto de tensão permanente é que Bolsonaro consegue funcionar.

Agora, para além do que os vazamentos significam politicamente e juridicamente para o ex-Juiz Moro, eles revelam algo muito mais grave, que é a postura pouco transparente e republicana que tem o estamento togado — o que coloca em cheque a neutralidade e a imparcialidade que a justiça de um país liberal e democrático como o Brasil precisa ter, como apontou Lynch (leia aqui). Diante desse cenário de flagrante anomia da justiça, temos que nos perguntar como fica o cidadão comum diante de uma instituição notadamente problemática.

O sociólogo conservador Oliveira Vianna escreveu acertadamente que no Brasil o cidadão comum era refém do arbítrio das oligarquias locais. Sem ter um poder capaz de protegê-lo, as elites abusariam impunemente dos cidadãos. A conclusão a que chega o autor é pessimista — jamais seremos uma democracia de tipo americano ou inglês.

Luciana Zaffalon, em sua tese A Espiral Elitista de Afirmação Corporativa (leia aqui), estudou a fundo o funcionamento do judiciário em São Paulo e chegou à conclusão de que há uma relação de favorecimento mutuo entre os três poderes (executivo, legislativo e judiciário). Desta forma, os freios e contra pesos constitucionais que protegeriam o cidadão comum contra o arbítrio do Estado em contexto brasileiro se transformam em mera ilusão.

O resultado é o abuso dos que detém o poder do Estado (elites togadas, política e econômicas) sobre a população.

Nossa justiça é, portanto elitista, fechada em si mesma e funciona como uma casta intransponível.

Se a caixa preta do financiamento de campanha e da aprovação de projetos de lei pelo executivo foi aberto e mostrou um escandaloso esquema de propinas e subornos, agora precisamos abrir a caixa preta do judiciário brasileiro e expor as entranhas da relação entre os órgãos da república. Se isso não acontecer, será a legalização do arbítrio e do abuso, e a prova de que, infelizmente, Oliveira Vianna estava certo — jamais seremos uma democracia madura, pois aqui o que reinaria é o mandonismo das facções de aldeia.

Os envolvidos no escândalo são os autores de mais este capitulo da crise brasileira. Ao desrespeitar o processo legal, destruíram a Lava-Jato, desperdiçaram dinheiro, trabalho e tempo do Estado em prol do projeto de poder regido pela ideologia do ativismo judiciário, que nada mais é do que uma tentativa de destruir a política. Assim, a arte da política, vista como o debate de ideias, disputas de projetos e ideologias, concorrência entre os mais variados interesses que se formam pela pluralidade de uma sociedade livre, se transforma numa questão formal e técnica. É um projeto de poder autoritário e conservador.

Estamos diante de um novo dilema. O correto seria anular o julgamento e refazer todas as provas. Mas se isso ocorrer a sociedade brasileira vai ser jogada numa nova onda de polarização e conflito. Se tudo ficar como está, só reforçaria os vícios do processo. Um meio termo não vai satisfazer nenhuma das partes. O cenário é trágico e o STF não tem capacidade de superá-lo.

Meu maior receio é de que a tensão chegue a um ponto em que ocorra uma ruptura autoritária.

Silibrina: o melhor do jazz brasileiro

Uma das maiores besteiras que costumamos escutar é que a música atual é uma porcaria e que os músicos de hoje não se igualam aos de ontem. Afirmação rasa de quem não conhece a música brasileira em sua profundidade e acredita que tudo se resume ao que toca nas rádios.

Acontece que a música brasileira é tão plural que não cabe na mediocridade do mainstream, dominado por artistas cuja musicalidade fica entre o medíocre e o ruim. Não quero com isso vomitar regras do que as pessoas devem ou não escutar, para mim temos o direito de consumirmos o que quisermos. Não simpatizo com gente que se acha acima do bem e do mal e acredita ser o messias capaz de guiar o brasileiro em busca de uma inexistente alta cultura— de Messias, Mitos e Heróis quero distância…

Mas não há dúvidas de que, quando se trata de música brasileira, existem mais coisas entre o céu e a terra do que podem pensar a vã filosofia de críticos de araque, das rádios e da televisão. A riqueza e a pluralidade existem, apenas precisamos ir nas profundezas; Rafael Elfe, Céu, Vanessa da Matta e Karine Aguiar estão ai para provar.

Fazendo um competente jazz instrumental com influencias brasileiras, coloco dentro deste grupo o Silibrina, que lançou recentemente o álbum Estandarte (2019) seguindo com a mesma qualidade iniciada em seu primeiro lançamento O Raio (2017). O sexteto, liderado pelo pianista e principal compositor Gabriel Nóbrega, apresenta músicas instrumentais da mais alta qualidade — um jazz com amplas influências de ritmos brasileiros, como o baião, o frevo e o maracatu. Tudo bem dosado, sem exageros, com todos os arranjos bem encaixados, formando um Todo onde o universal e o particular se cumprimentam, se juntam e nos brindam com uma ode à boa música.

Particularmente, gostei de todas as faixas, mas destacaria Frevo Maligno, Rochedo e Itamaracá.

Silirina é uma das gratas surpresas que provam como nossa música é de fato o reflexo da alma do povo brasileiro: miscigenado, regional, plural e multicultural.

Disponível tanto no Spotify quanto no Youtube.

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Bolsonaro e a via cesarista de governo

Escrevi num artigo anterior (leia aqui), que as caraterísticas mais importantes do populismo do século XXI são: o nacionalismo, que encobre as diferenças sociais sob o manto da pátria e nação; o personalismo do líder, materializado na dominação carismática; o justicialismo, baseado na revolta contra os abusos sofridos pelo cidadão comum; e o protagonismo dos fatos, isto é, a valorização do senso comum e das atividades práticas contra a vida intelectual e contra o saber sistemático.

Também falei sobre a existência de uma forte carga bonapartista, caracterizada pela ligação direta do líder, dotado habilidades extraordinárias, com o povo, que passa a governar por cima e para além das instituições.

Essa relação sem intermediação institucional dos eleitores com o chefe carismático e autoritário também foi estudada por Gramsci, que cunhou o termo cesarismo para explicar o momento em que os grupos sociais se afastam dos seus líderes e entram num estado de reivindicação intensa, o que ocasiona tanto crises de hegemonia quanto convulsões sociais.

Este processo de crise do Estado e das instituições pode resultar numa solução fascista, reformista ou carismática, ou seja, cesarista. Não há uma volta ao passado, mas uma espécie de revolução/ restauração, onde ocorre o avanço de alguns aspectos em relação à situação anterior, ao mesmo tempo em que as facetas principais do status quo se mantém.

Este cesarismo, aponta Gramsci, poderia tanto ser conservador quanto progressista, dependendo das forças políticas que triunfassem, tentando fazer avançar a História ou retardando ao máximo os processos de desencaixe da modernidade (leia mais aqui).

Não há dúvidas de que Bolsonaro possui amplos traços que o identificam com o bonapartismo, o populismo de direita contemporâneo e o cesarismo conservador. Se opõe à ciência ao saber sistemático, pois considera-o como idelogicamente enviesado (sic); é autoritário ao defender um pacto de força que esmague a oposição, identificada diretamente com o comunismo, não importando se a oposição é liberal, socialista ou moderada; seu bonapartismo se insere como um presidente que procura disseminar a ideia de ser um enviado de Deus para consertar o Brasil e governar  acima das Instituições, consideradas por ele como corruptas e subversivas; por fim, sua ênfase no governo a base do confronto, se colocando como um inimigo do status quo que deve ser destruído a qualquer custo.

A incapacidade do presidente de articular uma base viável para aprovar seus projetos força-o cada vez mais para a única coisa que ele soube fazer em trinta anos de vida pública: confrontar as instituições, a oposição e até mesmo sua própria base. Diante deste quadro, não admira que passe a perder cada vez mais apoio entre o eleitor médio, aquele que não é nem de direita, nem de esquerda e que se move a partir do pragmatismo do mundo da vida: emprego, saúde, segurança e preço dos produtos no supermercado (leia mais aqui).

Para tentar frear essa queda de popularidade, aposta num canal direto com sua base de eleitores mais fanáticos, que são cerca trinta por cento e que se mantém fiel a sua forma de governar: autoritários, viúvas da ditadura e segmentos expressivos de evangélicos pentecostais, estes, por sua vez, mais vulneráveis à propaganda de líderes carismáticos e supostamente ungidos por Deus (saiba mais aquiaqui). Demonizando as instituições e se desgastando cada vez mais, ele já possui uma boa desculpa para justificar seu fracasso: não fui eu, mas os políticos e a velha política que não me deixaram governar, explicação convincente para esta parcela do eleitorado que se mantém fiel ao seu cesarismo conservador.

Portanto, Bolsonaro se exime de governar para a totalidade da população brasileira, que possui uma grande pluralidade de modos de vida e de interesses, e aposta num segmento especifico para se manter no poder até 2022. Não se sabe se por burrice ou por sua própria visão de mundo, pois parece realmente acreditar que por ter vencido a eleição todos os brasileiros pensariam como ele, e não porque o eleitor comum queria punir o PT pelos seus erros e desejava uma resposta satisfatória à crise econômica e à corrupção.

O cesarismo conservador de Bolsonaro, em linhas gerais, se forma pela sua tentação autoritária de formar governo desprezando instituições consideradas por ele como comunistas que deveriam ser destruídas. Tenta retardar ao máximo a dinâmica social, destruindo o pouco de social democracia que havia no Brasil, com o fim da previdência solidária, com a financeirização completa do país, com a destruição do Estado brasileiro (veja mais aqui), com o incentivo à violência policial e à legalização da pistolagem no campo. Sem embargo, estamos vendo uma nova etapa da República, baseada no conservadorismo, no autoritarismo e no liberalismo vulgar.

Em regimes democráticos, principalmente o brasileiro, baseado no consenso, a estratégia do confronto é extremamente desgastante e sem chance de sucesso a médio e longo prazo. O impeachment ou o parlamentarismo branco já se torna um assunto na pauta da direita moderada, do centro e da esquerda.

Tenho absoluta certeza de que Bolsonaro, saindo por impeachment, renúncia ou pela vontade das urnas, não deixará saudades.

Game of Thrones, a Política e o Estado.

Uma das maiores séries de televisão chegou ao fim. Depois de oito temporadas e nove anos alimentando esperanças, ódios e discussões intermináveis entre os fãs, ela alcança sua conclusão como um autêntico fenômeno da cultura popular do século XXI. Sua trama complexa, violenta, pornográfica e imprevisível revolucionou a forma de se contar histórias e sem dúvida vai gerar fortes influências sobre produções posteriores.

Em artigo anterior que escrevi sobre a série (leia aqui), mostrei como a obra de George Martin, ao se inspirar nos acontecimentos da Guerra das Duas Rosas, também fazia um diálogo interessante com os ensinamentos de Nicolau Maquiavel e sua interpretação sobre a função do Poder e das qualidades que um bom príncipe deve ter para governar. Cheguei à conclusão de que, se o mestre florentino lesse os romances ou assistisse a série, diria que quem deveria ter o trono de Westeros seria quem pudesse acabar com a guerra e iniciar um ciclo duradouro de paz, independentemente de pertencer à família A ou B.

O fim do espetáculo também nos apresenta outra linha de interpretação além daquela que já escrevi, que é a necessidade do Estado e da Política para a vida em sociedade.

As disputas fratricidas, as guerras, as mortes, os genocídios, as traições e muitas outras atrocidades são a prova de como as disputas pelo Poder político, se não regidas por regras socialmente aceitas e por uma dimensão estrutural que regule estas disputas, podem ser extremamente danosas para o mundo da vida, principalmente para os mais pobres — a bucha de canhão preferida dos exércitos das grandes famílias e as principais vítimas dos massacres e da fome originada pelo grande moedor de carne humana que é uma guerra civil.

Thomas Hobbes, em seu clássico O Leviatã, afirma que, antes do Estado, a vida social era curta e violenta. Sem um Poder forte o bastante para impor a ordem, a morte e a guerra eram as únicas certezas. Dentro deste cenário, advoga a necessidade da mão forte de um Rei ou de uma assembleia de homens, uma república, para impor a paz e impedir que os cidadãos se matem.

 Jhon Locke, o pai do liberalismo, afirma que a função do Poder político é fazer com que os homens gozem dos seus direito naturais sem que sejam ameaçados por isso — são eles a felicidade, a propriedade e as suas riquezas. Retirá-los de uma época sem leis e fazer com que todos os homens respeitem os bens uns dos outros é a função da Estado para com a Sociedade.

Jean Jacques Rousseau, um dos principais teóricos da democracia participativa e importante pensador para as esquerdas, advoga que o Poder dever ser a expressão da vontade geral. A liberdade que todos usufruíam no estado de natureza é substituída pela liberdade do cidadão, onde todos entregariam seus direitos uns aos outros. Neste contexto de igualdade, todos deveriam participar ativamente da política procurando fazer com que o Estado se tornasse a expressão do bem comum.

Com o Estado surgem as leis que regulamentam a vida social e a disputa política. A luta pelo Poder se racionaliza, impede o uso da violência, que passa a ser controlada por dispositivos institucionais que coíbem os abusos e tipificam o certo e o errado. Essa instância superior impede que as facções em disputa resvalem para uma luta de todos contra todos.

Eis a função do Estado, que parece não haver na trama de GOT. Sem regras claras que regulem a sucessão e sem uma instância superior para impedir o derramamento de sangue, a guerra civil e a morte de inocentes torna-se inevitável. É apenas no fim da última temporada que vemos a criação de uma lei que possa regular a sucessão e impedir novas guerras; a monarquia deixa de ter um traço tradicional e se torna eletiva com o novo rei passando a ser escolhido pelas Côrtes Gerais, o que coíbe as chances de ascensão de um inapto em favor do mais preparado ou do mais experiente.

Neste momento há uma mudança significativa do exercício do Poder no Reino. A hereditariedade típica do tradicionalismo dá lugar à uma forma mais racional de escolha: monarquia eletiva. São os homens bons, nobres e mestres, os guias do Reino, que passam a ter a prerrogativa do voto na escolha do novo soberano. A política ganha novos contornos e se estabelece em novas regras para impedir o conflito.

Quando o Estado se institui e as regras do jogo passam a ser aceitas por todos é que se pode pensar em política com P maiúsculo — a busca pelo bem comum e a manutenção da paz e da segurança. Aquele que venceu vai governar segundo as regras do jogo respeitando os perdedores que, apesar de serem uma minoria, merecem ser ouvidos e preservados. Em vez de uma luta esganiçada entre facções se pode agora pensar em como tornar a vida melhor formulando políticas públicas, como foi mostrado na reunião do Conselho Real no último episódio. As preocupações com futuras conspirações e golpes dão lugar às questões como obras e saúde públicas e abastecimento de alimentos.

Só agora é que Westeros parece estar pronto para um período de paz e prosperidade.

Em tempos em que parece estar na moda criticar a função social do Estado e desmontá-lo em prol de interesses escusos, bem como de demonizar a política, quando na verdade ela é, no dizer de Edmund Burke, a busca pela resolução de problemas concretos, GOT nos dá uma alerta sobre as consequências da não política.

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A política é a arte de governar, de propor soluções aos problemas da pólis e de saber conciliar e respeitar interesses divergentes.

Esta, de fato, é a lição que Game of Thrones nos apresenta, sem uma dimensão que regule a vida social, iremos resvalar para o extremismo, para a polarização e para a guerra civil.

Precisamos do Estado e precisamos da Política para que a vida seja possível.

Vinte anos de The Gathering, clássico do Testament.

220px-Testament_(band)_-_The_Gathering_(album)A primeira vez que ouvi Testament foi em 1998, quando tinha quatorze anos. Foi por intermédio de um amigo, hoje já falecido, que me presenteou com uma coletânea pirata do grupo. Lembro-me daquele Thrash Metal pesado, rápido, com altas doses de melodias nos solos e com os vocais marcantes do grande Chuck Billy. A consequência não foi outra, me tornei fã instantâneo, passei a acompanhar de perto a trajetória do grupo e foi Eric Peterson e sua guitarra pesada e vigorosa que fez aumentar meu interesse pelo instrumento.

Ainda em 1998 comprei o incrível Demonic e só foi em 2000 que pude adquirir incrível The Gathering, lançado um ano antes. Lembro-me de ter comprado o disco junto com o Brave New World, do Iron Maiden e com o We are, do Motorhead, todos lançamentos da época e hoje reconhecidos pelo público e pela crítica.

Mas The Gathering foi um impacto tão grande para mim que passei a considerá-lo um dos meus favoritos.

Todas as faixas são perfeitas, mas entre os meus destaques aponto DNR, que começa o álbum e possui uma linha de bateria incrível do grande Dave Lombardo, que participou das gravações; Down For Life, um thrash metal da velha escola, pesado e direto; a maldosa Eyes of Wrath, que possui um dedilhado sombrio e pegajoso; True Believer, clássica que dosa muito bem peso e melodia; 3 Days in Darkness, com sua letra impressionante e seus riffs inesquecíveis e Legion of The Dead, a mais brutal do disco, um death metal da mais alta qualidade.

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Eric Peterson: Mestre da guitarra e da composição.

O Testament lançou discos maravilhosos depois deste, como Formation for Dammation e Dark Roots of Earth, mas The Gathering ocupa um lugar destacado no heavy metal mundial. Arrisco dizer que está no mesmo patamar em qualidade de clássicos de outras bandas como Metallica e Slayer — talvez até maior… O grupo liderado por Chuck Billy e Eric Peterson merecia muito mais sucesso e reconhecimento por suas valiosas contribuições para a música pesada.

Longa vida ao Testamento do Thrash Metal.

 

Conto: A Matança da Onça*

“No dia que matei essa gata/ Foi um dia de alegria/ Quando tocaram a reboca/ Eram doze horas do dia”

(Versos cantados pelo negro Deolindo que morreu afogado nas águas do Piracuruca e teve os olhos comidos pelos peixes).

De José Magalhães da Costa

Não sei se o moço chegou a conhecer o velho Chico Mascarenhas, matador de onças, que vivia ali nos Araticuns, propriedade de D. Emília Resende. Ah, conheceu, não é, se lembra dele? Pois foi, foi ele mesmo quem me contou esta história, quando eu era menino. Já morreu, faz muitos anos, e está enterrado num cocurutinho de terra, próximo ao Pequizeiro da Veada chamado, na estrada que vai da Varjota para o Curral de Pedra. Bem mesmo ali onde entra uma vereda de gado que vai desembocar no pátio das Palmeiras, também da viúva do Cel. Facundo. Está sepultado lá. Foi ele quem pediu. Disse para o filho Zeca, que queria se enterrar ali. Marcou até o lugar da cova. E é lá mesmo que está repousando, dormindo seu último sono. É, foi ele, o velho Mascarenhas, como era mais conhecido, de verdade, quem me contou este caso, passado com ele no tempo que assistia para os lados de Campo Maior, terra dos carnaubais.

Pois bem. Diz que apareceu uma onça preta canguçu na caatinga do Brasão, que — não sei se o senhor sabe — pega os municípios de Campo Maior, Castelo, antigo Marvão, e Pedro II. A malvada estava acabando com os rebanhos, deixando os criadores da região, coitados, com as mãos na cabeça, sem saber o que inventar para dar fim à monstra da fera. Cadelo que entrasse na mata, não saía mais de lá, não tornava mais à casa do dono, e nem era mais visto rastejando, acuando onça. Podia-se chamar cachorro morto, uma vez um cão caçador. Muito deles, experimentados na caça, no ofício, como o Rompe Nuvens e o Quebra Ferro, que não se aquietavam mais quando viam o rasto duma bichana, puxando o dono na corda, que tinha de soltar logo eles, se não quisesse ser arrastado à força, deram o couro às varas. O Araponga, dum latido de tinir as oiças da gente, que nem o pássaro ferreiro, foi outro que entrou na dança macabra. E assim, muito, muitos animais bons de caça, testados, como o Boto, o Tupã, o Jupi, serviram de refeição pra gatona de fama. Até o Tubarão, que tinha acuado quatro bichas, foi também um dos que a fera passou no papo. Todos eles, e mais uma matilha. Nunca mais que tiveram notícias dos pobres, a não ser através das carniças, dos carangaços encontrados, aqui e ali na mata, ou então pela mancha de gordura deles no chão, no lugar onde ela comera o infeliz. Caçador nenhum tinha então coragem de penetrar na caatinga do Brasão, com medo de ser morto e comido pela temida canguçu. E a gatona fazendo das suas. Passeando solta. De vez em quando sangrando uma criação pra chupar o sangue, comer a fatada, que é o de que ela mais gosta. Aqui, matando um mijolo. Ali, uma marrã de ovelha gorda. Adiante, um poldro de égua, um jumentinho novo. Bodes nem se contava mais: chiqueiros inteiros a danada dizimou, porque, como o senhor não ignora, deve saber, bode é o vivente mais besta que existe na Terra. Não sei se o senhor já teve oportunidade de ver. Se já prestou atenção… Não. Nunca botou, nunca viu, não é? Pois é assim… Aquilo eles vêm num caminho, vereda que seja; a onça escolhe um lugar e fica ali esperando, de tocaia. Quando o magote se aproxima, e vai passando, ela salta no meio, espantando os bichos, que se espalham, mas voltam em seguida, pé ante pé, admirados, bestas. Ela tem saído do ponto, está noutro, mais à frente, e aí é só saltar nos espinhaços da presa. Um, dois, três… e assim por diante: é tantos queira. É só escolher, e saltar em riba. Ocasião que mata só de perversa, pra estruir. Por brincadeira até, parece. Uma vez fui fazer uma partilha dumas miúças na Malhada Grande, pra minha patroa, e quando passava por um tabuleiro perto dum morro onde o morador fez a casa dele – hoje é só tapera – vi três cabritos a menos de dez braças um do outro, mortos, como se a malvada estivesse brincando. Os bichinhos lá, estirados no chão, sangrados, um deles ainda arquejando, berrando fraquinho, os buracos das unhas da malvada no pé da goela.

Pois sim, a onçona fazendo das suas, ganhando nome, crescendo na boca do povo, que não falava de outra coisa, não tinha outro assunto. Até um romance já circulava, contando as proezas e artes da canguçuzona de fama. (Só o Chico Perez, autor do tal livrinho, vendeu mais de um milheiro na feira de Pedro II, que é a melhor do norte do Piauí. Diz que até fila fizeram pra adquirir o panfleto). Foi aí que ocorreu de a bicha pegar um garrote, um barbatão criado, de seu Tertuliano Brandão, do Pedro II, que também possui terras no Brasão, na caatinga velha. Dele ou de outro fazendeiro, não sei bem, não me recordo agora no momento; mas acho que foi de seu Terto, ou então do Coronel Manoel José Cardoso, o maior fazendeiro do norte do Estado, na época que era prefeito de Castelo o valente Ten. Costa Basílio. Ou ainda de algum Bona ou Ibiapina rico de Campo Maior, criador de gado pé-duro e de cavalo campeiro. O certo é que os donos de gado da região se reuniram em assembléia e deliberaram então contratar um matador de onças profissional, mandando buscar o velho na Bilheira, do Desembargador Vicente, no Campo Maior, que era onde ele morada, vivia antes de vir se socar ali nos Araticuns. Contrataram o homem não sei por quantos mil-réis, além da promessa de matarem um boi grande, erado, pra festejarem o acontecimento, quando chegasse a hora de tocar a reboca.

Bom. Foi num ano de seca. Se não me engano, em 32. Ou mais pra trás, em 15. Não sei bem. Só que foi num período de seca braba, ou de inverno ruim, fracateado. Deixa. Vamos pra frente. O que interessa é que o velho foi chamado, trazido pelos fazendeiros pra tirar a fera do pasto. E lá veio ele. E já matutava, quebrando a cabeça, procurando um jeito de melhor fazer a coisa. Com cachorro estava visto que não dava, que até o Lavadeira, que o velho trouxera consigo e tinha na conta do melhor acuador e matador de onças, foi-se, quer dizer, foi, mas não voltou mais. Assim, o jeito que teve foi esperar a bicha na bebida, quando ela descesse pra matar a sede. O custo, a demora era descobrir o lugar onde estivesse bebendo, indo beber. Pra isso teria, teve que ganhar o mato, enfiar-se na caatinga. E foi o que fez. Foi. Afundou-se na caatingona, indo até dentro, muito dentro, no centro da mata. Aí encontrou o que procurava: um choramingozinho d’água numa grota perto dum lajedo com poucas árvores em redor, a maioria plantas rasteiras, como costuma ser a vegetação da caatinga. Era lá que a pilheira estava bebendo. Lá as alpargatas da monstra, no chão. No meio do lajedo, um buraco em formato de pilão, do tamanho duma cojuba, dum coité, e que deu ao velho a idéia, de ficar botando água até acostumar a monstra, pra então poder passar sua tipóiazinha e preparar a espera. A fortuna, que achou, pelo menos, aquela árvore: uma catingueira velha esgalhada… e foi nela que aguardou a gatona.

Contou que uma tarde, uma semana depois de ter penetrado na mata, quando vinha vindo de tardezinha de volta pra casa, pressentiu estar sendo seguido, que atrás de si vinha um bicho, e não era outro, senão a gatona. Vinha só, sozinho. Perdera já o seu Lavadeira, como o senhor viu, e assim o jeito que teve foi logo procurar uma árvore, alta e fina, linheira, que a bicha não abarcasse, nem pudesse subir nela, e onde ele desse de passar a noite sem perigo. E foi o que fez. A valença que encontrou logo um amargoso, e logo subiu nele, ali pernoitando, e vendo dois vaga-lumes gigantes – os olhos da monstra – circularem em torno, pousando num lugar e noutro, mas sempre na mesma altura, focando nele, lá em cima no olho do pau. Quando se desceu de manhã, viu lá o lugar onde a danada estivera acocorada, chega o chão estava limpo, liso, de tanto a bicha abanar com a calda, olhando e esperando que ele descesse da árvore pra então… E foi aí que o velho viu, quando se apeara, botou o pé no chão, em terra, o perigo que correra, o risco em que ia se meter, no caso de ter prosseguido a viagem. Foi. Foi, por sorte que escapara, se salvara. Por milagre mesmo. Não tivesse feito, a história hoje seria outra, muito diferente.

Doutra, vira os restos dum gobila que a perversa matara e comera no fundo dum grotão que ficava próximo à furna que parecia ter sido morada dela, tempos trás, e onde se viam as ossadas de bichos que a monstra arrastava nos dentes, levava nas cacundas lá pra dentro pra comer com os gatinhos. Na caatinga, só se via o rastro, as patonas da pai-d’égua afamada. Onde se pisasse! O chão todo tomado, ladrilhado. Em toda parte o maozão da bicha, olhe lá o tamanho! Era só o que se enxergava, encontrava na mata. Cada buraco que fazia medo! E ele, o velho, caminhando pra lá, botando água numa cabaça, num coité, até ver chegado o dia, a hora da onça beber. Aí foi, carregou bem a lazarina velha (os fazendeiros ainda quiseram lhe dar um 44-papo-amarelo, mas ele não aceitou), trepou-se na árvore, adredemente escolhida, e ficou esperando a gata velha descer pra bebida. O sol tinha se posto, e a noite vinha cambaiando de mansinho para a escuridão, os bichos pequenos, os insetos, que tinham vindo beber, e antes se movimentavam por ali brincando uns com os outros, pararam em respeito à presença do animal que se anunciava, e para que o caçador pudesse ouvir direito as pisadas da canguçu nas folhas secas, rumo à bebida. Reinava então um silêncio pesado, de morte, enorme como as patas do gatão, que agora dispunha de poucas horas de vida.

Como é do conhecimento de todos, onça é bicho treteiro, escovado por arte do Capeta. Malandro que nem urubu. Mais sabido que macaco. Nunca avança de vez, mas devagarinho, tomando chegada de mansinho, assuntando tudo em volta antes. Então, só então, é que parte para a presa, pula em cima da carniça, ou baixa a boca n’água. Tão inteligente, que só anda em círculos, dando voltas. Nunca que se demora num lugar, mas sempre passa pelo mesmo canto por onde andou, tanto que o povo diz: — “aqui é passagem de onça”. É, nunca vai em cima direto, assim não existiria mais caçador vivo! Aquilo ela pega, sai naquele chotão, marchona mole, dela, que não tem quem acompanhe – vai-se com todos os diabos! E nunca volta daquela tirada. E se acontece dela voltar no mesmo dia, ou no outro, naturalmente porque deixou na certa carniça enterrada, ou a caça no lugar é pouca, rara. Aí ela torna. Ou então se lembrou do pasto, como é sabido de todos.

Outra coisa: onça é bicho de bebida certa, e disso todo caçador sabe, e sabia também, de experiência própria, o velho Chico Mascarenhas, matador de mais de uma dúzia de gatas grandes como aquela.

Bem, vamos agora ver como se deu o encontro do velho Honorato com a caça. Já disse que ele, um dia sim outro não ia botar água pra bichona beber, não disse? Pois. Sim, ia. Até que viu que estava viciada. Nem é bem isso. É que, como eu já referi, era tempo de seca, e só tinha água lá, assim foi fácil enganar a fera. Era lá que a danada estava bebendo. Pois bem, o velho subiu na árvore e aprumou-se, esperando o encontro com sua rival, a lazarina velha atravessada nas pernas. Foi quando ouviu pisadas nas folhas secas, à sua frente, e imaginou ser a bichana descendo para a bebida.

– É ela – pensou o velho caçador, todo arrepiado. É. Era, era a hora mesmo. Chegara o momento dos dois ajustarem as contas. Estava já turvo, as coisas se confundindo com a escuridão da noite, que baixava como uma mortalha que cobrisse tudo. O matador sentiu a aproximação do perigo, vendo chegado o instante, o momento, a hora do encontro com a rival – de atirar na gatona afamada. Então, devagarinho, botou a espingarda com o cano pra frente, armou o gatilho, e esperou um pouco: logo avistou aquele vulto escuro, aquela coisa preta, enorme, movendo-se no seu rumo.

– É ela – repetiu ele baixinho, na hora que a lua ia saindo, refletindo os olhos da fera, transformados em dois patacões de ouro, no meio dos quais o velho meteu sua arma, mirando bem e atirando. O tiro estrondou, seguindo-se então de um silêncio pesado, que nem a carga da noite, que acabava de baixar as pestanas. Um silêncio grande como a mata. Um silêncio da hora da morte. Um silêncio como aquele outro, quando a monstra se aproximou da bebida. Silêncio de coisas paradas e mortas. Nada então se mexia. Nem um galho! Nem uma folha! Nada! Nada bulia… Até o vento, aquele ventinho bom, de boca de noite, parara. Não se ouvia sequer o zinir dum mosquito. Silêncio mesmo de meter sobrosso. E o velho ficou com medo, assombradinho. Supondo ter errado o tiro, e a onça ido embora. Mas não. Não. Não era possível que tivesse perdido a munição, a carga da arma, errado a pontaria! Só vendo… Seria possível?! Então foi-se descendo da árvore, com cuidado, que a bicha podia estar viva francamente: sabida… se fazendo de morta pra pegar ele!… Foi escorregando pau abaixo, até tocar, bater o pé no chão, fazendo zoada:

– Chô, onça! Escutou… Nada! E como não visse então nada mexer, bulir, resolveu se aproximar do vulto escuro, do monte preto à sua frente. Aí empurrou o pé na coisa preta, pra ver se realmente estava morta. Deixa que, ao fazer, a monstra rolou fazendo aquela zoada, horrorosa de feia na garganta, como quando se mata um capado grande, cevado, e o animal ronca com o sangue gargulejando no pé da goela, na sangria, dando-nos a suposição de estar ouvindo direitinho o rosnar da maior comedeira de bichos que temos, e o velho aí não teve outro jeito senão perder o respeito às calças, sujando-se todinho, pois a impressão que teve na hora foi que a bicha estivesse vivinha da silva.  Mas não. Não. Estava morta mesmo. Mas que tomou um susto, lá isso tomou.  Um susto grande, o maior de sua vida sem dúvida, segundo o próprio. Não negou. Borrou-se, de verdade, o velho, ele que tinha tirado do pasto muita onça grande. Mas não como aquela. Aquela foi, sem dúvida, a maior bichana que ele já matou. Saiu então para dar a notícia em Castelo. Mas antes de chegar lá, já o povo sabia do acontecimento, estando a cidade em polvorosa, sob um verdadeiro bombardeio de foguetes, em festa, havendo mesmo uma camioneta, com um aparelho de som, de oito bocas, instalado nela, percorrendo a cidade anunciando o feito, considerado como heróico, e convidando o povo de todo o município e circunvizinhanças, onde pisava a gatona, para, reunido, e em procissão, ir fazer a reboca. O serviço também anunciava o grande baile que o clube social de Castelo iria oferecer ao herói Francisco das Chagas Mascarenhas, matador da maior pichana já vista na região, chegando mesmo, um atento vereador, a anunciar no microfone a entrega do título de herói de Castelo, que a Câmara de Vereadores daquela cidade, agora livre, iria conceder ao bravo, corajoso e providente profissional onceiro. No patamar da igreja matriz de Nossa Senhora do Desterro a bandinha de música tocando dobrados e mais dobrados, animando a festa, que não deixava de ser, e o vigário, padre Expedito Carneiro, já estava se paramentando para celebrar missa, de ação de graças, pelo auspicioso evento.  No caminho, muita gente, com o pessoal das barracas carregando suas bancas de café, bolo, frutas e batidinhas para o local onde o velho tinha morto a respeitada e temida canguçu, já então sem as desmedidas e descomunais mãos e presas, e não se sabe como não foi transformada em churrasco pela multidão que para ali se dirigiu, não só da cidade de Castelo, mas de todo o município e quejandos. Gente de todo lado, de tudo quanto é canto onde chegou a notícia.

A festa rolou por três dias, tendo sido declarado feriado municipal em toda a região do Brasão. Festa mesmo de arromba. Bailes de reinado, com música, dança, comida, bebida e tudo, não havendo nenhuma outra mais falada, até então!

O velho Chico Mascarenhas, animado e puxando fogo, dançava abraçado com a cabeça da bicha, que parecia uma carrapeta no meio do salão!

ESTE CONTO IRÁ SER PUBLICADO NA PRÓXIMA OBRA PÓSTUMA DE JOSÉ MAGALHÃES DA COSTA, NA COLEÇÃO COMEMORATIVA AOS 100 ANOS DA ACADEMIA PIAUIENSE DE LETRAS.

*Conto integrante do livro Histórias com Pé e Cabeça…, publicação póstuma, de 2012.