As Ditaduras e o Fim da Cidadania

Diante de cenários de crises, corrupção, contradições e polarizações extremas, a ideia de uma ruptura autoritária, isto é, de uma ditadura, aparece como uma das soluções mais sedutoras na luta política. Os seus defensores afirmam que a luta de facções torna necessário que apenas um poder forte, supostamente vindo de fora da política, pode conseguir acabar com o conflito, punir os crimes contra o erário púbico e impor a ordem para a prosperidade social.

A solução ditatorial para o equacionamento dos conflitos sociais pode parecer sedutora a curto prazo mas, a médio e longo, se torna uma armadilha para as sociedades.

Leandro Karnal, em palestra no programa Café Filosófico, fez uma interessante análise dos ditadores: eles infantilizam o cidadão. Em outras palavras, as ditaduras impedem que a virtude cidadã de homens e mulheres floresça. O Poder autoritário, que não respeita a crítica, não admite a transparência e nem a escrutínio público, apenas se preocupa em perpetuar-se, em impedir dissidências e em esmagar os grupos políticos rivais, julgados agora de subversivos.

Por que é isso que as ditaduras fazem, sob a capa de impor a ordem social, elas esmagam opositores e supostos opositores sob a desculpa de perseguir o elemento subversivo, quando na verdade, o subversivo é apenas aquele que não concorda com o ditador. Trocando em miúdos, regimes autoritários só são bons para quem os apoia. A suposta paz social é conseguida a partir da eliminação do outro.

Em regimes assim a corrupção é uma regra, pois com os acordos políticos e as políticas públicas fora dos olhos dos cidadãos, vistos agora como ameaça em potencial, não há como fiscalizar o exercício do poder; e onde não há fiscalização as chances para práticas pouco republicanas ocorrerem é de cento e dez por cento.

Regimes autoritários, portanto, são a infantilização da cidadania. O hábito de acompanhar o poder, analisar as lideranças e fazer críticas torna-se proibido. Isso tem sérias consequências para a maturidade dos cidadãos, que acostumam-se com regimes ditatoriais, preferem ser tutelados e não tem a consciência da importância da política para o cotidiano.

Apenas com a prática cidadã, fiscalizando a política, propondo novas leis e fazendo oposição ao poder estabelecido que podemos aperfeiçoar nossa sociedade. É pela democracia que podemos combater a corrupção, propor novas formas de desenvolvimento e chegar a um denominador comum com facções politicas rivais.

É uma pena ter que escrever um texto como este em pleno século XXI, quando já temos trinta anos de regime democrático. Entretanto, estamos vivendo um tempo em que afirmar o óbvio virou um ato de civismo e de combate.

A democracia faz florescer a virtude cidadã, já as ditaduras a matam.

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