A Velha Direita Não é Centro

Por Marcelo Fantaccini Brito

As eleições estão chegando, temos que combater Bolsonaro, mas também temos que combater outro mal: o discurso da velha direita, que está se dando o nome de “centro”. De acordo com este discurso, propagado por FHC, grandes empresas de mídia e bancos, haveria candidatos de “centro”, como Geraldo Alckmin, Henrique Meirelles, Álvaro Dias e Rodrigo Maia, que seriam o caminho sensato entre os “extremos”, representados na direita por Jair Bolsonaro e na esquerda por Ciro Gomes, Guilherme Boulos, Manuela d’Ávila e talvez Fernando Haddad. De acordo com este discurso, os candidatos desse “centro” seriam os mais seguros para a democracia.

Este discurso é desonesto e completamente distante da realidade por três motivos:

1) Geraldo Alckmin, Henrique Meirelles, Álvaro Dias e Rodrigo Maia são direita, não são centro. Representam o 1% do topo da pirâmide social. Não é só porque existe alguém mais à direita, como Bolsonaro, que a direita deixa de ser direita. Seria a mesma coisa que chamar o Boulos de candidato de centro porque existe um candidato do PSTU. A única candidata realmente de centro nesta eleição é a Marina Silva, e talvez o próprio Ciro Gomes. 

2) O candidato da velha direita rebatizada de centro não representa a defesa da democracia porque representa a coalizão de apoio a um governo sem voto, que surgiu com o propósito de implementar o programa de candidatos derrotados na eleição de 2014, que inclui a precarização das relações de trabalho e o congelamento do investimento no social, programa que dificilmente venceria uma eleição. Os candidatos que ficaram no lado da democracia em 2016 foram Ciro, Boulos, Manuela e Haddad 

3) Nivelar Bolsonaro com Ciro, Boulos, Manuela e Haddad como extremos é canalha e ainda ajuda a relativizar Bolsonaro. O ex-capitão defende torturador, já fez declarações racistas, machistas e homofóbicas, pretende acabar com direitos dos trabalhadores. No lado de Ciro, Boulos, Manuela e Haddad, não existe qualquer sinal de extremismo. Ciro defende uma política fiscal bem austera, pretende acabar com o teto geral, mas pretende manter algumas despesas sob o teto, está procurando manter mais contato com empresários do que com sindicatos e movimentos sociais, está querendo ficar cada vez mais distante do rótulo de “candidato de esquerda”. Boulos e Manuela defendem a agenda social-democrata clássica: reforma agrária, reforma urbana e reforma tributária progressiva. Haddad fez gestões no Ministério da Educação e na Prefeitura de São Paulo que nada lembram extrema-esquerda: sempre procurou ter contato com empresários, nunca rejeitou OS na saúde, PPP e terceirização das creches.

O discurso de que o candidato do PSDB/PMDB/DEM seria “de centro” entre os “extremos” representados por Bolsonaro e pela esquerda é estapafúrdia e desonesta porque não há qualquer discurso sensato e honesto que sirva para levantar candidaturas que representem a continuidade de um governo fracassado com 4% de aprovação.

“Jornalistas” que chamam os candidatos do PSDB/PMDB/DEM de “candidatos de centro” não são jornalistas profissionais. São marqueteiros do PSDB/PMDB/DEM disfarçados de jornalistas.

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