Dez anos do belo e pesado A Matter of Life And Death

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A Matter Of Life And Death: pesado, complexo e coeso.

Entre os discos que o Iron Maiden lançou depois da volta de Bruce Dickinson e Adrian Smith, considero o A Matter of Life and Death (2006) o melhor de todos, superior até mesmo ao Brave New World; um disco quase perfeito, nunca canso de ouvi-lo.

Escutei o AMOLAD logo depois que foi lançado. Na época ouvi todo tipo de crítica sobre ele, de que seria um disco mal gravado com músicas tão ruins que pareciam sobras de estúdio do mediano antecessor Dance of Death (2003). Em matéria de música, nestes meus vinte e dois anos de ouvinte dedicados ao bom e velho Heavy Metal, nunca dei muito crédito à opinião alheia, eu sempre soube separar bons trabalhos de porcarias, mesmo se fossem coisas feitas por minhas bandas preferidas, como no caso da donzela.

Quando coloquei a bolacha para ouvir fui conquistado logo na primeira canção. A sonoridade era muito agradável, com melodias épicas e misturando-se à riff´s pesadíssimos, mudanças de andamento, arranjos complexos e letras retratando de forma poética os horrores da guerra. Eu estava diante de uma obra-prima contemporânea do Metal, um trabalho de inegável fôlego criativo. Era incrível como, mesmo depois de tanto tempo de estrada e treze discos de estúdio, o grupo ainda conseguia renovar-se.

Mais uma vez o gênio Steve Harris e seus liderados tinham nos surpreendido.

A Matter (…) chama atenção começando pela capa, que já era um prenúncio da massa sonora que estava a nossa espera: um taque de guerra, marcado com a discreta mas visível face de Eddie, com soldados da segunda guerra mundial, representados como caveiras, manchando num campo de batalha; no céu, misseis e bombas explodindo. O tom dessaturado e cinza da pintura serve para dar a ênfase na atmosfera de morte e desolação. Sem dúvida uma das melhoras capas de disco já feitas pelo grupo — em nada comparado com aquela vergonha que fora a capa do Dance Of Death.

O disco começa bem, com duas canções rápidas, Different World e These Colours Don´t Run, arranjos melódicos e refrões grudentos, dessas que ficam na mente. Depois temos a pesada e arrastada Brighter Than a Thousand Suns seguida da ótima The Pilgrim, que em alguns momentos me lembrou as clássicas Two Minutes to Midnight e Powerslave. The Longest Day, que narra o Dia D, é uma canção realmente épica, com um grau de tensão que vai aumentando conforme a música avança; sua parte instrumental é complexa, os solos bem encaixados, o ouvinte nem sente que ela tem seus quase nove minutos de duração. Em seguida temos uma pausa para a balada bem pauleira chamada Out Of The Shadows. Entre outros destaques temos as duas obras-primas da donzela, The Reincarnation of Benjamin Breeg, com ótimos riffs de guitarra, e The Legacy, que fecha o disco e que possui um agradável arranjo com violões.

O único tropeço de AMOLAD é a música Lord Of Light, cujo tema é preguiçoso e seu desenvolvimento repetitivo. Nem precisava estar presente.

Eu considero que foi neste disco que o Iron Maiden acertou a fórmula de tocar com três guitarras. É possível ouvi-las nitidamente e em muitos momentos cada uma toca um arranjo diferente num todo orgânico.

Embora os dois últimos discos de estúdio The New Frontier (2010) e The Book Of Souls (2015) tenham os seus méritos e sejam bons cada um a sua maneira, nunca mais tive o mesmo arrebatamento estético com um trabalho novo da donzela como quando escutei AMOLAD.

Para mim, a fórmula certa para eles explorarem musicalmente é a contida neste petardo. No próximo álbum de estúdio, espero que eles toquem como no belo e pesado A Matter of Life And Death.

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