Noite na Taverna: uma pequena obra-prima

azevedoDeixai-me fumar o meu charuto!”

A.Azevedo

Lembro que quando estudei a literatura de Alvares de Azevedo (1831-1852) na escola, lemos apenas os seus poemas, não demos nenhuma nota sobre sua produção em prosa. O que foi uma pena, pois o nosso maior romântico foi um poeta extremamente medíocre. Sua Lira Dos Vinte Anos (1853) é um livro com uma quantidade enorme de poemas ruins de rimas muitas vezes preguiçosas, apenas um ou outro que se salva; o melhor deles, sem dúvida, é Meu Sonho, na melhor inspiração Byroniana.

O autor nasceu no século XIX, em São Paulo, filho da elite cafeeira paulista, ingressou na faculdade de direito e morreu de tuberculose aos vinte e poucos anos. Era um autêntico filho do século XIX. Romântico extremado, leitor ávido de Shakespeare e Byron, cantou sobre a morte, amores impossíveis e sobre o tédio da vida. Era um liberal. No seu discurso de formatura, defendeu os ventos que a revolução francesa soprara pela Europa. Influenciou quase todos os escritores de sua geração e das seguintes no Brasil, incluindo pesos pesados como Machado de Assis e José de Alencar.

Contudo, a grande genialidade de Azevedo, pelos menos para mim, está em seus contos, publicados em 1855 sob o nome de Noite na Taverna. O livro é uma coletânea de histórias trágicas e soturnas onde seus personagens, Solfieri, Bertram, Gennaro, Claudius Hemann e Johann, narram suas desventuras passadas sentados numa taverna qualquer e rodeados de prostitutas.

São personagens extremamente angustiados, pois não sentem qualquer propósito de viver. São todos cheios de vícios e levam uma vida vazia, regada basicamente a alcool, drogas e sexo. As histórias que compartilham são sempre de amores passados, cujo fim termina sempre em tragédia e morte. O tom do livro é extremamente pessimista, cinzento e cínico, mostrando que para estes personagens a vida é um sofrimento e a única forma de escapar dela é beber e transar até que o fim chegue.

Particularmente, gostei muito do capítulo de Solfieri (leia aqui), que abre o livro, e sua incrível cena de necrofilia.

O livro todo se passa na Europa, e não tem qualquer ligação com a biografia do seu autor. Apesar qualidade acima da média, Noite na Taverna foi como um fruto exótico da obra de um escritor que morreu aos vinte e poucos anos. Quem dera se ele tivesse vivido mais e se dedicado mais a história curta. Com certeza teria criado grandes obras.

Mas a Fortuna desejou que fosse diferente.

Recomendo Noite na Taverna para aqueles admiradores de histórias de fantasia, suspense e terror.

Anúncios

Um comentário sobre “Noite na Taverna: uma pequena obra-prima

  1. Pingback: Poema: Meu Sonho – Páginas Perdidas

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s