A Outra Face do Nacionalismo

nacionalismoComo sempre acontece nos feriados de sete de setembro, vemos desfiles militares, demonstrações efusivas de patriotismo e de louvor a grandeza nacional com propagandas na televisão e postagens nas redes sociais com a participação intensa da população. Particularmente, eu sempre fui reticente quanto a qualquer mostra de louvor a pátria. Sempre imaginei que, por detrás do véu da propaganda oficial, seja ela de esquerda ou de direita, haveria algo a mais que normalmente a ideologia do nacionalismo costumava esconder.

Por detrás dos hinos pomposos cantando vitórias épicas da pátria, dos mitos fundadores das nações e dos cantos de conquistas e de louvor aos heróis dos mais variados países, esconde-se muito derramamento de sangue, cabeças cortadas, culturas apagadas, famílias esmagadas, projetos e ideias politicas de autonomia jogados para as brumas do esquecimento.

O que nosso nacionalismo escamoteia é o caráter essencialmente violento da formação do Brasil, contra índios, negros, pobres, mulheres ou qualquer outro grupo social que perdeu o bonde da história.

Este processo continua mantendo-se até hoje, com índices alarmantes de mortes entre as populações mais desfavorecidas, com o racismo e a desigualdade estrutural que esmaga a população negra e o processo de genocídio étnico que assola a população indígena promovido pelo grande capital agrário.

O que as grandes datas nacionais, como a do descobrimento, independência ou a proclamação da república fazem é escamotear esse processo perverso e reafirmar a ideologia do Brasil Grande, ou seja, afirmar que nosso país é uma verdadeira potência regional, um lugar onde as regiões se completam harmonicamente num todo maior, dono de uma cultura fruto da miscigenação entre índios, negros e brancos, onde todos teriam o seu lugar reservado nessa grande sociedade híbrida, nessa grande democracia racial.

Nem poderia ser diferente. Em condições de modernidade, onde projeto do estado nacional, para ser vitorioso, precisa ter o monopólio da força sobre um determinado território e homogeneizar as relações sociais sobre ele. No decorrer deste processo, as populações que se recusarem ou simplesmente se mostrarem incapazes de se integrar, são sumariamente eliminadas.

Se quisermos de fato modificar as bases sociais do país, devemos efetuar uma critica profunda a ideologia do nacionalismo brasileiro e procurar realizar um balanço do que ele já trouxe para nós, os trabalhadores e formular um outro tipo nacionalismo, muito mais aberto e tolerante.

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