O PT e a Crise do Desenvolvimentismo Contemporâneo

O ciclo de desenvolvimento econômico e social que se iniciou no Brasil em 2002, como se fosse uma espécie de novo milagre brasileiro, está se esgotando. Algo completamente previsível, pois o modo de produção capitalista é imperfeito, sujeito a fluxos e refluxos, expansões e retrações de suas estruturas.

Todo ciclo econômico ou toda medida de economia política está sujeita a níveis de expansão e retração, ascensão e decadência. Foi assim durante o desenvolvimentismo autoritário da ditadura militar, com o curto período de expansão do período FHC e, agora, com a dinamização desenvolvimentista dos últimos doze anos.

Não obstante, a crise deste modelo econômico também representará a crise do grupo político que o sustenta. O PT está caminhando a passos largos para o seu ocaso do executivo. Serão os últimos quatro anos do partido liderando o país, isso enquanto é engolido aos poucos pelo PMDB.

Assim como cabe ao estado propor modelos de desenvolvimento, discutidos junto com a sociedade civil, que sejam de fato democráticos e duradouros, cabe também ao estado, em momentos de crise, amparar a sociedade, enquanto durar o período de retração do modo de produção capitalista. È a única maneira de manter o ritmo de dinamização social e das forças produtivas. Não há outro jeito.

O governo brasileiro, ao invés disso, faz o contrario. Em momentos em que o desenvolvimento social e econômico dão sinais de refluxo, o príncipe e seus ministros retiram do Estado a tarefa de guardar a sociedade sob a desculpa de que é necessário realizar cortes fiscais para aquecer o crescimento.

Cortar benefícios dos trabalhadores, desprezar a reforma agrária e a reforma urbana, regredir na política social e deixar a deriva grupos sociais mais vulneráveis não aumentará o crescimento, mas aprofundará a crise econômica que já abre suas asas agourentas sobre nós. No momento em que a sociedade mais precisa do estado, ele se retira, como um médico que nada faz quando vê um paciente doente. É como se tentasse apagar um incêndio jogando gasolina no fogo, ou alguém tentando se curar de uma gripe fartando-se de sorvete.

Retirar-se da sociedade quando ela mais precisa faz parte da ortodoxia vigente que se tornou uma verdade absoluta a partir da década de noventa. Apregoa-se que o estado deve sair da economia e deixá-la livre de regulações como única forma de desencadear o desenvolvimento. Mas a sociedade e economia são duas coisas totalmente diferentes. Esta é formada por relações constituídas de sentidos e finalidades que visam puramente ao lucro, aquela, por outro lado, agrega grupos, indivíduos e relações cujos sentidos transcendem o viés econômico.

As duas esferas possuem dinâmicas e necessidades bem diferentes. Mas todas precisam de leis, dispositivos e regulações que possam assegurar a vida coletiva, ou seja, que possam fazer com que os vários grupos e indivíduos envolvidos nestas relações não dominem uns aos outros.

Se o governo continuar assim nesse ritmo, a crise econômica e as desigualdades sociais se radicalizarão. Assim iremos regredir nas poucas conquistas que a sociedade logrou conseguir até aqui. Então aprofundaremos o estado de anomia que estávamos conseguindo superar.

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