Carne e Osso: as duras condições de trabalho nos frigoríficos no Brasil

AAAAAAAAAAAAAAFRIGORIFICOS (1)

O modo de produção capitalista não é um sistema harmônico. A forma como o capital se reproduz é a partir da contradição. Dito em outras palavras, ele é desigual e combinado, gerando tanto riqueza quanto pobreza, oportunidades e exclusão, momentos de expansão intensa e extensa e momentos de crise aguda.

Produzido pela Rede Globo News, o documentário chamado “Carne e Osso” retrata a condição de trabalho dos trabalhadores de grandes frigoríficos e ilustra bem como ocorre o processo de exploração e exclusão, muito comum em nosso mundo contemporâneo — e que muitos teimam em dizer que não existe…

As condições precárias, a exploração e a humilhação a que são submetidos os trabalhadores são detalhados de maneira bastante direta. Vemos os operários da carne trabalharem em longas jornadas, exercendo movimentos repetitivos e sujeitos aos mais variados acidentes, que são muitos, indo desde pequenos cortes nos dedos, pelo manuseio de facas afiadas, até a perda de pernas e braços por acidentes com facões elétricos usados para torar carcaças de bois.

Por estarem submetidos a formas tão celeradas de trabalho, muitos passam a sofrer das mais variadas e dolorosas doenças relacionadas aos músculos, coluna e mente. A rotatividade do trabalho também é intensa, ocorrendo sempre o desligamento do operário quando este passa a requisitar muitas dispensas em virtude de complicações da saúde; como muitos trabalhadores também tem familiares nos frigoríficos, aquele que intenta processar a empresa para conseguir uma indenização sofre com humilhações e ameaças de que todos os parentes também serão despedidos. O auxilio médico oferecido pelas empresas também é precário, se resumindo a doses de dipirona para aliviar a dor daqueles que sofrem com a síndrome do esforço repetitivo — causou consternação o caso de uma senhora que, de tanto trabalhar, acabou tendo os nervos apodrecidos.

Quanto ao salário médio dos trabalhadores desta categoria, ele varia entre setecentos e mil e duzentos reais, uma remuneração típica de trabalhos precarizados e não valorizados socialmente.

Em suma, temos neste documentário a ilustração de um caso muito comum: a forma de exploração intensa do trabalhador, reduzindo-o apenas a um apêndice da indústria, a uma máquina mesmo, sem direitos e sem subjetividade e descartado como se fosse uma peça gasta quando começa a não suportar mais a carga de trabalho.

“Carne e Osso” monta a trama de um sofrimento ignorado pela grande mídia e pelos liberais de gabinete que nunca visitaram uma fábrica ou viram a pobreza e a exploração de perto. Releva a chaga viva que nosso sistema econômico provoca nos chamados “invisíveis sociais”, nos pobres, no “Zé Povinho” ou, como a nata fascista de Higienópolis gosta de dizer, “gente diferenciada”. O documentário nos mostra um drama humano que não ocorre apenas no Brasil, mas em qualquer lugar do mundo. Vemos como fere o látego de um sistema econômico que subjuga muitos, favorece poucos, mas aliena a todos.

Anúncios