The King: Uma Narrativa Pesadelo.

filmes que nos surpreendem, outros, que nos emocionam; há ainda aqueles que suas histórias nos desperta repulsa, ódio, medo, riso… Contudo, há uma pequena parcela de películas capazes de nos insuflar sentimentos como angústia, dor e revolta, sem nem mesmo tratarem de temas como guerras, monstros, zumbis e histórias de terror em geral.

A habilidade destes filmes em criar esses sentimentos sem, contudo, usar temas diretamente nojentos ou obscuros, consiste na habilidade do diretor e roteirista em manejar de maneira original a história.

O filme The King, dirigido por James Marsh é um destes exemplos.

 A história deste filme é muito simples, Elvis Valderez  (Gael García Bernal) é um jovem desequilibrado que é dispensado da marinha. Sem ter para onde ir, o agora ex-militar resolve sair em busca de suas raízes e vai até a cidade de Corpus Christi, no sul dos Estados Unidos onde, segundo sua mãe, uma prostituta mexicana já falecida, seria o lugar onde poderia encontrar seu pai.

Chegando na cidade, o protagonista descobre que o seu genitor é um pastor conservador chamado David Sandow (William Hurt). Quando Elvis se apresenta para homem, este o renega dizendo que agora é um homem de Deus e que seu passado não importa mais.

 Até ai tudo bem. Para o telespectador desavisado o filme pode parecer mais uma pequena trama digna de uma telenovela da Vênus Prateada, com todos os seus clichês sobre o assunto e com um final feliz falando da importância da redenção, do perdão, do amor e da família.

Mas em The King não há perdão, redenção ou amor e nem a salvação da família nuclear burguesa. O filme é dono de uma atmosfera opressiva e angustiante, como se os personagens tivessem sido jogados numa sala com grossas paredes que a cada minuto ficam cada vez mais próximas. O momento em que as paredes da sala esmagarão os prisioneiros é apenas questão de tempo, pois, assim como nos pesadelos, a trama só tende a ficar pior, sem qualquer concessão aos nervos daquele que sonha.

Temas como incesto, assassinato, mentiras, remorso, ambição e religião são postos de maneira franca e direta. Na tentativa de fazer parte da família, Elvis consegue ter um caso com a filha mais nova (Pell James) do pastor, sua meia irmã, assassina seu meio irmão (Paul Dano) e, penetrando como um câncer na família do pastor, consegue abalar por completo toda uma comunidade.

 O filme pode ser classificado como a tragédia do filho bastardo, ou uma parábola ás avessas do filho pródigo que volta em busca das origens e acaba, por sua personalidade doentia, destruindo completamente a família da qual imagina fazer parte. Ele também pode ser analisado nos termos de uma metáfora da reflexividade; do eterno retorno, das forças do devir que sempre voltam para cobrar seu preço; dos resultados imprevistos de nossas ações ou, simplesmente, do velho adágio popular: aqui se faz aqui se paga.

Os acontecimentos vão se desdobrando como num pesadelo. A angústia vai atingindo seu clímax num final surpreendente, digno de uma peça escrita por Shakespeare, onde o futuro reservado aos personagens sempre é frio, cinzento ou trágico.

O filme não é nenhuma obra – prima e nem ficou muito famoso quando foi lançado. Mas a trama bem construída e o tratamento dada aos personagens e à temática faz com que ele seja uma peça cult.

The King é uma película recomendada para quem gosta de filmes diretos e sem concessão. È uma narrativa pesadelo.

Para ver o Trailer clique aqui.

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2 comentários sobre “The King: Uma Narrativa Pesadelo.

  1. Khemerson Macedo

    Estou curioso pra ver essa “pequena peça cult”, como você descreveu. Concordo com a importância das obras diretas. São sintéticas, complexas e cheias de camadas… Valem muito a pena!

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