Scorpions: a última dose do veneno

Os últimos anos tem sido de perdas para a cena Hard/Heavy mundial. O Pantera se foi; o Type ´O Negative acabou junto com Peter Stelle; Dio também partiu para a região das sombras; Ozzy, pelo jeito, vai morrer num prazo de dez anos; Steve Harris já disse que o Iron Maiden deve lançar no máximo quinze discos, então o New Frontier é o ultimo; o Black Sabbath, pelo jeito, não continua; e o Kiss já está em final de carreira. Por enquanto, o AC/DC e o Metallica lançaram ótimos discos, mas os caras estão ficando velhos. Os grandes nomes que moldaram o rock clássico estão indo embora e atualmente não existem bandas capazes de substituí-los a altura — ironicamente, isso está acontecendo justamente quando o musica pesada volta a explodir em todo o mundo.

Depois de tantas baixas, chegou a vez do Scorpions pendurar as chuteiras, finalizando uma carreira de quase quarenta anos com o bem executado Sting in The Tail, que embora não possua o mesmo peso de um Humanity ou a pegada de um Unbreakable, é muito bem construído. Embora eu esperava, como fã, que a despedida fosse uma junção dos dois últimos trabalhos, não fiquei de todo decepcionado.

Escrevo este pequeno testículo ouvindo o Sting in the Tail e sou tomado por aquela sensação de deja vú. A cada riff, a cada solo e a cada refrão do disco, imagino se já não ouvi isso antes. Isso se deve ao fato de que o trabalho segue à risca o rock dos anos oitenta — refrãos grudentos, bateria abafada, letras festeiras e arranjos em escala pentatônica.

O disco começa com a alegre Raised On Rock, confesso que na primeira vez que a ouvi, seu acorde meio pop me fez odiá-la. Mas agora chego à conclusão de ela é até bem interessante — é o tipo de música muito bom para tocar numa festa.

A próxima é a faixa titulo Sting in te Tail, bem rock´n roll, seria uma boa trilha sonora para uma bela conversa embalada com algumas cervejas. Segue-se a pesada Slave me e a belíssima balada The Good die Young, exatamente como uma boa banda de rock sabe fazer, um acorde pesado, melódico e muito contagiante. A porrada nos tímpanos volta a todo vapor com Rock Zone, a mais pesada do disco, uma verdadeira avalanche sonora capaz de levantar até defunto.

È incrível como os Scorpions são ótimos em fazer musicas pesadas, ao mesmo tempo que são capazes de compor verdadeiras porcarias como Send me an Angel e congêneres. O equivalente destas músicas no disco fica com Lorelei e SLD. São o tipo de canções candidatas a serem regravadas por duplas sertanejas e cantores de bolero. O disco finaliza com a singela The Best Is Yet to Come. Bem sugestivo. Aquele seria mesmo o ultimo álbum?

Sting in the Tail é bem alto astral, uma despedida com a sensação de dever cumprido. Depois de terem levado a bandeira do bom rock´n roll durante todos esses anos, Klaus Meine, Rudolf Schenker, Matthias Jabs, Pavel Maciwoba e James Kottak resolveram passar a bola para as gerações mais novas — mas se depender delas, o hard rock/heavy metal não vai durar muito…

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Um comentário sobre “Scorpions: a última dose do veneno

  1. khemersonmelo

    Particularmente, a cena Heavy Metal não faz parte do meu imaginário… com a exceção do Metallica, que embora não conheça muita coisa da discografia dos caras, tem umas músicas que me absorvem de um jeito que é difícil de explicar… É como se elas limpassem toda a porcaria que meus ouvidos absorvem e ajudassem a estabelecer o equilíbrio entre a boa música e a média música.

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