Blaze em Manaus: Uma Aula de Heavy Metal

Depois de Paul Dianno em 1997 e do próprio Iron Maiden em 2009 (leia aqui a resenha do show), o competente Blaze Bayley também fez uma bem sucedida apresentação em Manaus, no dia nove de Abril, na cervejaria Fellice, na turnê de divulgação do seu ultimo disco Promise and Terror, lançado no inicio de 2010.

A banda encarregada do pré-show, Veludo Branco, de Roraima, fez o seu papel apresentando um Hard Rock seguro e bem tocado, executando músicas próprias e pequenos trechos do Led Zepellin e Black Sabbath — pena que o público não deu o merecido valor para o power trio.

Quando o relógio da maioria das pessoas já passava da meia noite, Bayley iniciou sua apresentação. Exatamente neste momento, todo o público veio para junto do palco e assistimos uma verdadeira aula de heavy metal, começando com a destruidora Madness and Sorow, segunda faixa do poderoso Promise and Terror. A banda apresentava uma coesão impressionante, as guitarras da dupla Jay Walsh e Nicolas Bermudes estavam muito bem entrosadas, detonando com riff´s avassaladores e solos muito bem construídos; o baixista David Bermudez não deixava a desejar com uma boa presença de palco e uma técnica apurada; o baterista Larry Peterson parecia uma máquina, não parava nenhum momento para respirar e descia o braço na caixa e nos pratos da cozinha; quanto ao chefe, o tenor Blaze Bayley, percebia-se a grande evolução em sua técnica vocal, assim como em sua presença de palco; com um carisma contagiante, o britânico não parava para agitar: levantava os braços, mandava quem estava parado bater cabeça (“bang your head, mother fuckers!”), apertava a mão dos fãs e agradecia toda hora pelo apoio recebido.

Durante os raros intervalos em que o vocalista fez para dar uma palavra ao publico, falou sobre a mudança de sua antiga gravadora para o seu recém montado selo, Blaze Bayley Recodings, e que agora, como artista independente, ele consegue fazer algo que não fazia antes — tocar em varias cidades do mundo. Também disse com grande razão: “vocês tem poder, os fãs do Brasil tem o poder, o poder de fazer uma banda grande, de fazer heróis, cada um de vocês aqui tem o poder, vocês tem a coragem de pensar por vocês mesmos, vocês tem a coragem de acreditar em seu próprio coração, e todos aqui sabem que vocês escutam a musica que escolheram, não o que a MTV manda ouvir, mas o estilo musical que vocês escolheram.”

Entre as musicas tocadas podemos destacar The Brave, City of Bones, Faceless e Leap Of Faith; embora estas canções tiveram uma grande resposta dos fãs, não há duvida de que as faixas dos tempos da Donzela e Ferro empolgaram mais: Man on the Edge, Lord Of The Flies, Futureal e The Classman. Entretanto, falando como admirador de Blaze desde os tempos de Iron, senti falta de clássicos como Sign Of the Cross, 2 A.M, e When Two Worlds Collide, que com certeza se sairiam muito bem ao vivo. Também considero que Blaze poderia ter explorado mais o interessante disco Tenth Dimension, do qual só foram executadas apenas duas músicas, a porrada Kill and Destroy e a medíocre Speed Of Light. Músicas marcantes do Tenth como End Dream, Nothing Will Stop me, Meant To be ou a sombria Strange to the light mereciam estar no set list.

O show fechou com a pesadíssima Robot, com todos os músicos e público exaustos de tanto bater cabeça e agitar. Com a grande receptividade que os fãs brindaram Blaze Bayley, não há duvida de que poderemos vê-lo outras vezes aqui na Paris dos Tristes Trópicos — da próxima vez os promotores do futuro show resolvam realizá-lo num lugar maior e assim baratear o ingresso, pois o preço salgado deixou muita gente de fora: 60 reais a pista e 80 o VIP.

A casa não teve lotação máxima. Mas o show foi excelente e a organização merece seu mérito pelo evento. Entretanto, houve problemas graves, como a questão da divulgação do horário do show: no ingresso estava ás dez horas, enquanto que nos cartazes pendurados no estabelecimento estava: “show a meia noite”; outro erro foi a confusão sobre quem seria a banda pré-show, a gerente do Fellice disse que seria uma banda de Santa Catarina, indicada pessoalmente por Bayley, enquanto que a organizadora do evento afirmou se tratar de um grupo de Roraima; também foi avisado que as pessoas que comprassem o ingresso VIP teriam direito a uma camisa e a uma sessão de autógrafos com o cantor, mas qual foi a nossa decepção quando vimos que a camisa não era boa, parecia as camisas dos funcionários do Fellice; quanto a sessão de autógrafos, uma desorganização total, muitas pessoas que tinham comprado o ingresso VIP justamente para ter o CD autografado e tirar uma foto com o vocalista, como foi o meu caso, ficaram de fora — puxaram Blaze sem mais nem menos para conceder entrevista para a TV Cultura. No final da execução de Kill and Destroy o microfone do cantor teve alguns problemas técnicos, que felizmente foram logo resolvidos, e uma das guitarras estava baixa demais — quase não dava para ouvir seus solos.

Ao contrário do ressentido Paul Dianno, que critica seu antigo grupo em todas as entrevistas que concede e chama Steve Harris de Hitler, mas ironicamente ganha a vida tocando as músicas de sua época no Maiden, Blaze Bayley segue em uma carreira solo cada vez mais bem sucedida tanto de critica quanto de público — firmando aos poucos seu trabalho na cena metálica mundial através de bons shows como o que ocorreu em aqui em Manaus.

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